Ítalo Marsili: Uma Nova Perspectiva na Política Carioca
Ítalo Marsili, psiquiatra, empresário e influenciador nas áreas de saúde mental, está em evidência nos bastidores da política carioca, mirando nas eleições de 2026. Sem filiação partidária, ele se posiciona mais como candidato ao Senado do que ao governo do estado, delineando uma agenda que inclui propostas polêmicas e inovadoras.
Em uma entrevista à Gazeta do Povo, Marsili expõe sua visão para um futuro mandato no Legislativo, destacando três principais prioridades: a realização de um referendo sobre o sistema de governo, a implementação de prisão perpétua para crimes de corrupção e a promoção de um diálogo aberto com o setor de criptomoedas. ‘Acho que as circunstâncias atuais se configuram mais para o Senado’, afirma.
Embora tenha flertado com a política desde 2014, Marsili optou por permanecer em sua área profissional até agora. Em 2019, lançou o programa Guerrilha Way (GW), voltado para o desenvolvimento pessoal, que atraiu um número significativo de seguidores em torno de valores conservadores. Durante a pandemia, foi cogitado para assumir o Ministério da Saúde no governo de Jair Bolsonaro, mas decidiu focar nas suas atividades empresariais.
Descrença na Classe Política
Para entender a possível candidatura de Marsili, é crucial considerar seu diagnóstico sobre a situação política no Rio de Janeiro. Ele aponta uma crescente descrença na classe política, o que, segundo ele, abre espaço para vozes novas e, muitas vezes, outsiders. ‘A gente tem uma massa de 2, 3 milhões de pessoas que não votam aqui no Rio. Isso reflete uma desesperança, um descrédito da classe política’, observa.
Marsili menciona a recente prisão do presidente da Assembleia Legislativa do estado, Rodrigo Bacellar, como um exemplo do que ele considera um esquema de corrupção que permeia as instituições. Essa situação, segundo ele, contribui para um clima de descrédito que afeta diretamente a participação eleitoral.
Senado: A Caminho da Candidatura
Ainda sem uma definição clara, Marsili pondera sua opção entre concorrer ao Senado ou ao governo do estado. Ele acredita que, para uma candidatura ao Executivo, precisaria encontrar um grupo político confiável e forte. Caso contrário, o Senado se tornaria seu ‘caminho natural’. ‘O Senado é um lugar onde eu consigo trazer pautas de modo mais consistente’, revela.
Ele estabelece um paralelo com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que, na visão de Marsili, soube utilizar sua experiência empresarial para trazer uma nova gestão ao poder público. ‘A experiência política no Rio de Janeiro não cola. É a experiência para a maracutaia’, critica.
Propostas de Mandato: Uma Nova Agenda Política
Se for elegido ao Senado, Marsili já delineia suas bandeiras prioritárias. Uma delas é a proposta de um referendo para discutir o sistema de governo. Ele acredita que os eventos do 8 de janeiro de 2023 evidenciam uma insatisfação popular com o presidencialismo, ressaltando a necessidade de proporcionar meios para que a população possa expressar suas opiniões sobre alternativas. ‘Há 35 anos essa conversa não existe. Temos uma geração inteira sem os instrumentos verbais para manifestar sua insatisfação’, argumenta.
Outra proposta que Marsili defende é a instituição de prisão perpétua para crimes de corrupção que causem danos significativos aos cofres públicos. Ele acredita que essa medida deveria abranger servidores públicos, políticos e magistrados condenados por desvio de recursos.
Além disso, Marsili quer abrir um diálogo com o setor de criptomoedas, que considera negligenciado pelo governo brasileiro. Ele se posiciona contra a taxação do setor, argumentando que é fundamental manter um mercado livre. ‘A gente tem que ser um mercado livre’, destaca.
Uma Trajetória de Bastidores e Compromisso Social
Apesar de não ter um histórico de mandatos ou cargos públicos, Marsili acompanha a política carioca desde 2014. Ele mantém conversas com lideranças de diversos partidos, do Republicanos ao Novo, e continua ativo na vida empresarial. Além de suas iniciativas no campo da saúde mental, dirige a Associação Marsili, uma ONG que atua em 42 favelas do Rio de Janeiro, oferecendo um curso de formação para líderes comunitários em técnicas de aconselhamento.
Para Marsili, a entrada na política deve ser pautada por viabilidade e compromisso. ‘Não vou entrar para perturbar. Quero entrar para ajudar a resolver’, conclui.

