Fraudes e Investigações na Secretaria de Educação do RJ
A Polícia Federal (PF) revelou um esquema de fraudes que movimentou cerca de R$ 2,9 milhões em caixa 2 eleitoral na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). As irregularidades envolvem processos de aquisição de materiais e contratação de serviços, segundo informações obtidas pela corporação.
A investigação apontou que o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, atualmente preso, teria colaborado com o deputado estadual Thiago Rangel Lima, também detido nesta terça-feira (5). Bacellar é suspeito de ter vazado informações sigilosas sobre a apuração de um caso que envolve o ex-deputado TH Joias. A estratégia visava direcionar fundos para a campanha da filha de Rangel, Thamires Rangel, e outros candidatos aliados.
Após a análise de mensagens trocadas no celular de Rangel, apreendido em 14 de outubro de 2024, a PF encontrou indícios da organização do esquema. As conversas indicam que Rangel e Luis Fernando Passos de Souza, apontado como seu operador financeiro, planejavam manipular licitações estaduais para favorecer empresas previamente acordadas.
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Conexões Perigosas e Ofertas de Cargos
Além das fraudes em licitações, a investigação revelou que Rangel teria oferecido cargos na Seeduc a Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”, um traficante de alta periculosidade associado a crimes graves como homicídio e tráfico de drogas. Júnior teria contribuído para indicar pessoas para ocuparem vagas de auxiliar de serviços gerais na secretaria.
Os desdobramentos da Operação Unha e Carne, que representa a quarta fase das investigações, resultaram na execução de sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão em várias cidades, incluindo Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As ordens foram emitidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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Os alvos da operação incluem não apenas os deputados, mas também Luiz Fernando Passos de Souza e outros indivíduos relacionados. A PF destaca que as investigações evidenciam um possível esquema de direcionamento nas contratações de escolas estaduais para empresas ligadas ao grupo investigado.
Consequências Legais e Defesa do Deputado
Os suspeitos enfrentam graves acusações, que vão desde organização criminosa até peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A PF também não descarta a possibilidade de que outros crimes sejam identificados no decorrer da apuração.
Em resposta aos eventos, a defesa de Thiago Rangel se manifestou, expressando surpresa em relação à operação e ressaltando que o deputado nega qualquer prática ilícita. Em nota divulgada nas redes sociais, a defesa afirmou que Rangel colaborará integralmente com as investigações. “É fundamental que as conclusões sejam baseadas em provas concretas, e não em suposições”, diz o comunicado.
O caso tem gerado repercussão significativa e levanta questões sobre a integridade nas contratações públicas e o uso de recursos em campanhas eleitorais. A sociedade aguarda desdobramentos e uma apuração rigorosa para que a verdade prevaleça.

