História e Memória da Ilha da Conceição nas Telas
A Ilha da Conceição, em Niterói, tem sua trajetória marcada pela relação íntima dos moradores com o mar, que foi profundamente alterada pela ocupação urbana e atividades industriais. Esse recorte da história local ganha destaque no 15º Filmambiente com o documentário “Quanta reza será preciso para um simples banho de mar”, dirigido pela cineasta niteroiense Liliane Mutti. Selecionado para a competição de documentários brasileiros, o filme integra a programação do festival que teve início na terça-feira (22) e inclui sessões no Cine Arte UFF, em Icaraí.
Filmambiente: Um Espaço para Debater Questões Ambientais
O Filmambiente, criado em 2011, reúne produções que abordam temas ambientais e sustentabilidade, e nesta edição exibe 60 filmes nacionais e internacionais. A seleção foi feita entre quase 400 inscrições de 60 países. O festival segue até 2 de outubro, com sua sede principal no Estação Claro Rio, em Botafogo, e programação também em locais como a Biblioteca Parque Centro, a Cinemateca do MAM, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) e o Cine Arte UFF. Além disso, curtas-metragens estarão disponíveis online via PortaCurtas para todo o Brasil.
Uma Reflexão Sobre as Transformações da Ilha
O documentário de Liliane Mutti será exibido no Estação Claro Rio no sábado, às 21h, seguido de um debate com a equipe. A obra resgata a memória da antiga Ilha da Conceição, que antes das grandes transformações mantinha uma relação direta com o mar. Hoje, o acesso à água está bloqueado em vários pontos devido à presença de atividades industriais e portuárias. A produção reflete sobre as mudanças ambientais e sociais que alteraram profundamente a conexão da população com o território.
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Segundo a diretora, “Quanta reza” não ignora a importância da Ponte Rio-Niterói como obra de infraestrutura, mas questiona os aspectos negligenciados durante sua construção. O cinema, para ela, serve como instrumento para recuperar narrativas que ficaram fora da visão oficial do progresso, ajudando a evitar erros em futuras intervenções urbanas. “Cinquenta anos depois, contamos com instrumentos ambientais, conhecimento e uma sociedade mais atenta. Não podemos repetir a lógica de construir primeiro e escutar o território depois”, afirma Liliane Mutti.
Programação Especial e Debates em Icaraí
Além do documentário da cineasta niteroiense, o Filmambiente oferece uma programação especial no Cine Arte UFF, com sessões gratuitas e debates que começam na quinta-feira. A abertura na cidade traz o documentário “Poder no deserto” (2025), dirigido por Emiliano Rodriguez Nuesch, que acompanha três comunidades afetadas pela transição energética na Califórnia e no triângulo do lítio, entre Argentina e Chile.
Após a exibição, haverá o painel “Rizoma das Américas: descolonização em movimento”, com a participação da historiadora e professora da UFF Ynaê Lopes dos Santos, curadora dos painéis temáticos do festival, e da historiadora contra-colonial Amanda Mara Goytaká. O debate busca refletir sobre as ações das comunidades indígenas na resistência contra a exploração dos recursos naturais em diversos territórios das Américas.
Temática e Acesso ao Festival
O eixo temático desta edição, “Ações e consequências”, reúne filmes e discussões que tratam dos impactos sociais e ambientais de diferentes modelos de desenvolvimento, além das estratégias de enfrentamento adotadas por comunidades pelo mundo. As sessões em Icaraí são gratuitas, com ingressos disponíveis para retirada no local. A programação completa pode ser consultada no site oficial do Filmambiente (filmambiente.com.br).

