Pedido de voto após votação levanta questionamentos legais
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi alvo de debate após fazer um pedido de voto em entrevista concedida logo após votar no Rio de Janeiro. Advogados consultados pela EXAME apontam que essa atitude pode ser considerada crime eleitoral, enquadrada como boca de urna, conforme a legislação vigente.
A lei eleitoral determina que, no dia da eleição, é proibida a “arregimentação de eleitor ou a propaganda de boca de urna”. A infração traz penalidades que incluem detenção de seis meses a um ano e multas que variam entre R$ 5.320,50 e R$ 15.961,50. Além disso, o mesmo dispositivo legal veda a divulgação de qualquer propaganda de partidos ou candidatos no dia do pleito.
Contexto da fala de Flávio Bolsonaro e repercussão jurídica
Ao deixar o local de votação, Flávio Bolsonaro afirmou que a liberdade de imprensa estaria garantida apenas se ele vencesse as eleições. Em seguida, pediu votos explicitamente: “A única forma de a imprensa continuar criticando um presidente da República é se o próximo presidente for Flávio Bolsonaro. Caso contrário, o atual presidente da República indica mais quatro ministros da Suprema Corte. A imprensa vai ser perseguida, os políticos vão ser perseguidos. O brasileiro será perseguido e vai ser o fim do nosso país. Então peço aos brasileiros que não permitam que isso aconteça e já me deem um voto de confiança em Flávio Bolsonaro agora no primeiro turno”.
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Fonte: curitibainforma.com.br
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Especialistas em direito eleitoral interpretam essa declaração como uma clara manifestação de boca de urna. Marcelo Ribeiro, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, aponta que a frase final configura um pedido direto de voto, o que é vedado durante o dia da eleição.
Da mesma forma, Anne Cabral, vice-presidente da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), reforça que a fala do senador constitui propaganda eleitoral proibida no dia da votação. Ela destaca que declarações de candidatos com alta densidade eleitoral têm potencial para influenciar significativamente o eleitorado e seus seguidores.
Aspectos controversos sobre o contexto da declaração
Por outro lado, o advogado Silvio Salata considera o caso indefinido devido ao contexto da fala, que ocorreu durante uma entrevista e não diretamente para eleitores na porta da seção eleitoral. Ele argumenta que a campanha de Flávio Bolsonaro pode defender o direito constitucional à livre manifestação, alegando que o pedido de voto não configura irregularidade nesse cenário específico.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Salata ressalta que, se a mesma declaração tivesse sido dirigida diretamente a eleitores no local de votação, a situação seria mais claramente ilícita.
Próximos passos na esfera eleitoral
A partir desse episódio, as campanhas adversárias ou o Ministério Público Eleitoral poderão solicitar uma investigação sobre o ocorrido. Caso isso ocorra, caberá à Justiça Eleitoral decidir se há necessidade de apurar o caso ou se ele deve ser arquivado.
O desfecho desse processo terá impacto direto sobre o entendimento e a fiscalização do que configura boca de urna e propaganda eleitoral proibida, reforçando a importância do rigor no cumprimento das normas que regem o período eleitoral.

