A busca por identidade e entregas no governo Lula
Em 2026, Luiz Inácio Lula da Silva tentará conquistar seu quarto mandato no Palácio do Planalto, enfrentando o desafio de consolidar a identidade da sua terceira gestão. O governo petista, que assumiu com a proposta de defesa da democracia e reconstrução do país, ainda carece de uma marca definida, especialmente até o meio de 2025. Um elemento que pode contribuir para a formação dessa identidade foi o embate com Eduardo Bolsonaro, que, ao articular com o governo Donald Trump, trouxe à tona o tema da soberania nacional, utilizado por Lula para unificar a esquerda e desgastar a imagem do bolsonarismo.
Esse discurso de soberania ajudou a reverter a tendência de reprovação que cercava o presidente, permitindo uma reviravolta nas pesquisas de aprovação. Contudo, Lula tem ciência de que, para 2026, essa estratégia não será suficiente. Ele reconhece que é preciso ir além. “O ano de 2026 será um ano de muita entrega. Eu quero que cada ministro, cada ministra, tenha clareza de que o próximo ano é o ano de colher tudo o que nós plantamos nesses três anos. É o ano de inaugurar obras, é o ano de consolidar programas”, disse o presidente em uma reunião ministerial em dezembro passado, na Granja do Torto.
Expectativas e desafios económicos para 2026
De acordo com informações apresentadas por Rui Costa, há ainda cerca de 30% do Novo PAC a serem executados dentro dos R$ 1,3 trilhão destinados a investimentos até 2026. Este programa é uma das principais apostas do governo para revitalizar a economia, embora sua relevância tenha sido ofuscada pela falta de inovação em comparação com gestões anteriores do PT.
Além da execução de projetos, a agenda econômica de Lula incluirá, como já ocorre desde 2023, a luta pela redução das taxas de juros, atualmente em 15%. O foco no custo dos alimentos será igualmente crucial, especialmente em ano eleitoral. A pasta da Fazenda deverá passar por mudanças, com Fernando Haddad previsto para deixar o cargo até fevereiro. Dario Durigan, atual secretário-executivo, é um dos nomes cotados para suceder Haddad, que se dedicará à coordenação da campanha de Lula. Porém, internamente, ele é visto como um ativo importante nas eleições em São Paulo.
A segurança pública como tema eleitoral
Outro aspecto que ganhará destaque nas eleições presidenciais é a segurança pública, uma preocupação crescente entre os brasileiros, superada apenas pela saúde. Embora essa área não seja diretamente gerida pelo governo federal, crises podem pressionar o Palácio do Planalto e estimular a oposição, como evidenciado pela tragédia ocorrida em outubro, que resultou na morte de 121 pessoas durante uma operação policial no Rio de Janeiro. Governadores que pretendem se candidatar à Presidência tendem a adotar um discurso mais rígido em relação ao crime, seguindo o exemplo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador.
Relações políticas e articulações no Congresso
A relação de Lula com o Congresso se mostra tensa ao final de 2025. Para entrar em 2026, o presidente precisará de habilidade para aparar arestas com figuras como Davi Alcolumbre e Hugo Motta. Lula tem uma indicação pendente ao STF, a de Jorge Messias, atual chefe da Advocacia-Geral da União, que aguarda votação no Senado. Além disso, o presidente deverá buscar apoio no Legislativo para pautar bandeiras relevantes para sua reeleição, como a reforma da escala 6×1.
Desafios e incertezas eleitorais
Entre os potenciais obstáculos para Lula, um em particular pode trazer complicações: as fraudes no INSS, que estão sendo investigadas e relacionadas a Fábio Luís, o Lulinha, primogênito do presidente. A Polícia Federal investiga os vínculos entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, em um caso que resultou em mandados de busca e apreensão.
No contexto internacional, o presidente pode enfrentar a necessidade de intermediar uma relação entre Donald Trump e Nicolás Maduro, em um cenário onde os Estados Unidos têm intensificado a pressão sobre a Venezuela, sob a justificativa de combater o narcotráfico. Historicamente, Maduro foi um aliado de Lula e do PT, e a situação pode complicar ainda mais a agenda política do presidente em 2026.

