Estados e Municípios em Alerta
Os estados e municípios brasileiros agora são obrigados a assumir os prejuízos relacionados aos fundos de previdência dos servidores, especialmente em casos de perdas provocadas por investimentos realizados em títulos do Banco Master. Essa determinação foi oficializada pelo Ministério da Previdência Social e divulgada na última sexta-feira (9), após a CBN ter acesso a um documento que revela o conteúdo do parecer, também publicado pela Folha de S.Paulo.
A origem da análise foi um questionamento da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), que buscava informações sobre o uso de recursos do Rio Previdência no Banco Master. O fundo de previdência do Estado do Rio de Janeiro alocou aproximadamente R$ 970 milhões na instituição financeira, cuja operação está sob a supervisão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Segundo as diretrizes emitidas pelo Ministério, a responsabilidade pela manutenção do pagamento de aposentadorias e pensões recai sobre os entes federativos, em conformidade com a Lei nº 9.717, de 1998. O entendimento da pasta é claro: estados e municípios têm o papel de garantidores finais do sistema previdenciário e, portanto, devem cobrir quaisquer deficiências financeiras que possam surgir, assegurando o pagamento integral dos benefícios de seus servidores.
Esse mecanismo implica que, caso ocorra uma perda significativa nos investimentos, como uma possível moratória do Banco Master, os cofres públicos, seja no âmbito estadual ou municipal, terão a obrigação de cobrir tais perdas. É importante ressaltar que as aplicações foram feitas em letras financeiras, que não possuem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Preocupações no Cenário Carioca
A situação é ainda mais alarmante no Rio de Janeiro, que se encontra sob um regime de recuperação fiscal e se depara com a projeção de um déficit considerável para 2026. Um novo desfalque nas finanças públicas poderia intensificar a crise financeira já existente no estado.
A CBN tentou obter uma posição oficial do governo do Rio de Janeiro e do Rio Previdência sobre a decisão do Ministério, mas não obteve retorno até a atualização final desta reportagem. Com a notificação formal da pasta, o governo estadual agora está ciente de que os prejuízos advindos dos investimentos recaem diretamente sobre o Tesouro estadual, o que pode trazer consequências ainda mais severas para a administração financeira do estado.
O cenário evidencia a fragilidade do sistema previdenciário em determinadas regiões e levanta questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos. A responsabilidade que agora recai sobre estados e municípios reforça a necessidade de uma revisão na forma como os fundos previdenciários são administrados e investidos, visando garantir a segurança dos benefícios dos servidores e a saúde financeira dos entes federativos.
Um especialista em finanças públicas comentou sobre a situação: “A decisão do Ministério da Previdência traz à tona a urgência de políticas mais eficientes na gestão de previdência. A manutenção dos direitos dos servidores não pode ser comprometida por decisões que não levem em conta a segurança e a rentabilidade dos investimentos.”

