Críticas de Lula à Política de Israel e Convite de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu um convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte de um “Conselho de Paz” destinado à Faixa de Gaza. Contudo, Lula já expressou sua forte reprovação à postura do governo de Benjamin Netanyahu, aliado de Trump, em relação ao povo palestino. Em várias ocasiões, tanto em discursos no Brasil como em eventos internacionais, Lula declarou que as ações de Netanyahu configuram um “genocídio” em Gaza. Para ele, o que está em curso é não apenas uma tentativa de “extermínio do povo palestino”, mas uma tentativa de “aniquilamento de seu sonho de nação”.
Em 2022, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu comunicados afirmando a necessidade de uma retirada total das tropas israelenses do território palestino. Além disso, questionou os limites éticos e legais das operações militares realizadas em Gaza sob ordens do governo de Netanyahu.
Diferentemente da postura dos Estados Unidos e de Israel, o Brasil reconhece o Estado da Palestina. Em outubro de 2023, em meio à escalada do conflito na região após ataques do grupo terrorista Hamas a Israel, o Brasil tentou promover uma resolução no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que assegurasse um cessar-fogo e permitisse a entrada contínua de ajuda humanitária para os palestinos.
Reações do Ministro das Relações Exteriores
Desde que a guerra se intensificou, o presidente Lula tem feito críticas tanto às ações do Hamas quanto à forma como Netanyahu tem tratado os palestinos, o que resultou em um esfriamento nas relações diplomáticas entre Brasil e Israel. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também não hesitou em se manifestar publicamente sobre a situação, chamando a atenção da comunidade internacional para o que ele classificou como “carnificina” perpetrada pelo governo israelense contra os palestinos.
Em uma audiência no Senado em maio do ano passado, Vieira enfatizou: “Acredito que é uma situação terrível o que está acontecendo. Há uma carnificina. É algo que a comunidade internacional não pode ver de braços cruzados”. O ministro também mencionou um número alarmante de mortes de crianças, um cenário que ele considera inaceitável.
Ainda no ano passado, em uma audiência na Câmara dos Deputados, Mauro Vieira reconheceu que Israel tem o direito de proteger sua população, mas destacou que as ações contra civis em Gaza já ultrapassaram qualquer limite de proporcionalidade. Ele reiterou a posição do Brasil, que condena os atos terroristas do Hamas, enquanto critica a postura do governo israelense pelas atrocidades cometidas e pela reação desproporcional contra a população civil.
A Proposta do ‘Conselho de Paz’
A criação do “Conselho de Paz” por Trump é vista como uma ação crucial na segunda fase do plano que os Estados Unidos apoiam para resolver o conflito no território palestino. O presidente americano afirmou nas redes sociais que este conselho será o “maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”. De acordo com a Casa Branca, o conselho terá como foco discutir uma série de questões estratégicas, como o fortalecimento da capacidade de governança, as relações regionais, a reconstrução, a atração de investimentos, o financiamento em larga escala e a mobilização de capital.
À medida que o conflito se intensifica e as tensões aumentam, o papel do Brasil e as declarações de Lula e Vieira ganham ainda mais relevância no cenário internacional, revelando a complexidade das relações políticas e os desafios enfrentados na busca por paz e estabilidade na região.

