Transição Global sem Hegemonia
De acordo com Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri, o mundo vive um momento de transição no cenário geopolítico internacional. Apesar da destacada presença dos Estados Unidos como um dos principais protagonistas, a especialista ressalta que ainda não se pode falar em uma multipolaridade consolidada.
Wachholz, que possui vasta experiência em temas relacionados à política internacional, explica que a atual configuração do poder global é marcada por incertezas. “Estamos observando uma série de mudanças dinâmicas, onde diferentes países tentam se afirmar no cenário, mas sem que haja um equilíbrio de forças bem definido”, comenta. Essa observação levanta questões importantes sobre o futuro das relações internacionais.
Sob essa ótica, a analista acredita que a ausência de uma hegemonia clara pode gerar novos desafios para a diplomacia e para a segurança mundial. A multiplicidade de interesses dos Estados, que antes seguiam padrões mais previsíveis, agora se torna um campo fértil para conflitos e negociações complexas. A transição que Wachholz menciona é evidenciada por fenômenos que vão desde os conflitos regionais até a luta pela influência no comércio global.
Além disso, a especialista aponta que, embora a China e a União Europeia estejam aumentando sua influência, a competição com os Estados Unidos permanece acirrada. “Enquanto os Estados Unidos continuam a ser um ator fundamental, a percepção de seu poder é reavaliada, tanto pelos aliados quanto pelos adversários”, enfatiza. Essa reavaliação ocorre em um contexto onde a globalização e a interdependência econômica são cada vez mais questionadas em função das novas realidades políticas.
A análise sugere que a falta de uma ordem mundial unificada torna as relações internacionais mais voláteis. A busca por alianças estratégicas, por exemplo, pode se intensificar, à medida que as nações tentam navegar por um ambiente de incertezas, sem um líder claro definindo os rumos. “As nações estão em constante adaptação, buscando formas de se protegerem e se afirmarem”, conclui Wachholz.
À medida que esse processo de transição se desenrola, as questões sobre como os países se alinham ou se opõem uns aos outros continuarão a ser cruciais. A análise da especialista nos leva a refletir sobre o impacto dessas dinâmicas na política global e nos desafios que se apresentam para o futuro próximo.

