Carnaval como Espaço de Inclusão
O carnaval do Rio de Janeiro também é um momento que promove a inclusão social. Os blocos dedicados à saúde mental já têm suas datas confirmadas para 2026 e estão prontos para se espalhar por diferentes regiões da cidade. A proposta é reunir usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais de saúde e a comunidade. Com sambas-enredo que tratam de temas como diversidade, cidadania e os princípios da luta antimanicomial, essas agremiações mostram que a maior festa popular do Brasil também pode ser um espaço de conscientização, combate a estigmas e preconceitos.
A iniciativa reafirma a ideia de que pessoas que enfrentam sofrimento psíquico têm direito à cidade, à cultura e à alegria. Segundo Hugo Fagundes, superintendente de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, os blocos de saúde mental servem como espaços de expressão, pertencimento e cidadania, sendo fundamentais para uma política de cuidado em liberdade.
Espaços de Convivência e Cuidado
Além dos desfiles, os blocos atuam como locais de convivência e cuidado, promovendo oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão ao longo do ano. Tais atividades são essenciais para fortalecer laços, estimular a expressão artística e ampliar o diálogo com a sociedade sobre inclusão social, respeito às diferenças e cuidado coletivo. Essa união de esforços visa trazer à tona a importância de um tratamento respeitoso e inclusivo no campo da saúde mental.
Agenda dos Blocos de Saúde Mental
O calendário dos desfiles começa com o bloco Zona Mental, marcado para o dia 6 de fevereiro. A concentração acontece às 17h, na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu. Neste ano, o tema “Meu nordeste, meu sertão: Do agreste à Zona Oeste, o batuque da emoção” busca estabelecer um diálogo entre as origens culturais nordestinas, especialmente o sertão e o agreste, e a Zona Oeste do Rio, que é lar de muitas famílias migrantes e de ricas tradições populares.
No dia 8 de fevereiro, o bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! fará sua apresentação, com concentração às 15h na Avenida Pasteur, na Urca, em frente à Unirio. Com o enredo “O cavalo azul do cuidado em liberdade e a chama acesa de Franco Basaglia”, o bloco une arte, memória e carnaval para levar às ruas mensagens de liberdade, valorização da vida e luta contra o estigma, reafirmando a importância da diversidade de existências.
O Império Colonial, por sua vez, desfila no dia 10 de fevereiro, pelas ruas do entorno da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. Este ano, o bloco traz o enredo “Pelos 7 ares da imaginação”, em homenagem a Arthur Bispo do Rosário, que teve uma trajetória marcada por sua vida como artista, marinheiro e boxeador.
Para encerrar a programação, o bloco Loucura Suburbana se apresentará no dia 12 de fevereiro, às 16h, com concentração no Instituto Municipal Nise da Silveira, localizado no Engenho de Dentro. Com 26 anos de tradição, o bloco desenvolverá um enredo estruturado em três eixos: Baluartes, Território e Loucura, que dialogam com a ancestralidade, a identidade do bloco e a ocupação simbólica do espaço urbano.
Agenda dos Blocos – Carnaval 2026
Zona Mental: 06/02, 17h, Praça Guilherme da Silveira, Bangu.
Tá Pirando, Pirado, Pirou! 08/02, 15h, Avenida Pasteur, Urca (altura da Unirio).
Império Colonial: 10/02, 14h30, Praça Nossa Senhora de Fátima, Jacarepaguá.

