Controvérsias e Homenagens no Carnaval
No coração do Carnaval carioca, a Acadêmicos de Niterói enfrentou uma reviravolta inesperada. O presidente da escola, Palhares, foi demitido da Alerj, onde atuava na Comissão de Transportes sob a liderança do deputado Dionísio Lins (PP). O desfile deste ano, que promete celebrar a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desde sua infância em Garanhuns (PE) até sua ascensão como líder sindical e presidente, está cercado de polêmicas.
Parece que o clima festivo do Carnaval não é suficiente para abafar as tensões políticas. Palhares, que ingressou na Alerj no ano passado e recebia um salário considerável, viu seu nome ligado a críticas sobre a utilização de verbas públicas pela escola. Em janeiro, ele recebeu R$ 7.961,34, quase três vezes mais do que seus ganhos de abril de 2025, quando recebeu R$ 2.782,56.
O deputado Lins, conhecido por sua ligação com o Carnaval, chamou a atenção no passado ao sugerir que o Grupo Especial aumentasse de 12 para 15 escolas de samba, demonstrando seu interesse na evolução do espetáculo. A programação do desfile deste ano já está definida: a Acadêmicos de Niterói abrirá as festividades no domingo, seguida por renomadas agremiações como Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira.
Críticas e Ações Judiciais
Por outro lado, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) não ficou em silêncio e protocolou uma denúncia no Ministério Público Eleitoral (MPE) contra a Acadêmicos de Niterói, alegando propaganda eleitoral antecipada. Sua crítica se concentra na verba pública recebida pela escola, referente a um termo de cooperação técnica que resultou em R$ 12 milhões destinados às doze agremiações do grupo especial do Carnaval fluminense.
A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) defendeu o acordo, afirmando que a distribuição dos recursos foi feita de forma equânime, com R$ 1 milhão destinado a cada uma das doze escolas. A Liesa destacou que o mesmo valor foi repassado em 2025, sempre com a supervisão do Ministério do Turismo.
As críticas à verba não param por aí. O deputado federal Kim Kataguiri (MBL-SP) também manifestou seu descontentamento, movendo uma ação popular contra o repasse de R$ 1 milhão para a escola, questionando o uso do dinheiro em favor da imagem de Lula, que se prepara para uma possível reeleição. Ele pediu a suspensão imediata do termo de cooperação e a devolução dos valores já transferidos.
Reação da Direita
A atuação da Acadêmicos de Niterói, especialmente durante seu ensaio técnico na última sexta-feira, provocou reações intensas de parlamentares da direita. Durante o evento, imagens satíricas sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro foram exibidas em telões, elevando ainda mais a temperatura política em torno da agremiação. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) se manifestou contra as críticas direcionadas a seu pai, enquanto o deputado estadual Gil Diniz (PL) anunciou ter protocolado uma denúncia no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra a escola.
A escola, que se preparava para ser um dos grandes destaques do Carnaval, agora se vê envolta em uma densa rede de controvérsias políticas e judiciais, que parecem ofuscar a celebração cultural que o evento representa. Com a presença de figuras como a atriz Juliana Baroni e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, o desfile promete ser um espaço de homenagens e, ao mesmo tempo, um palco de tensões políticas.
Em meio a tudo isso, a Acadêmicos de Niterói ainda não se pronunciou sobre a demissão de Palhares, deixando no ar as expectativas sobre como essa situação pode impactar o desfile e os planos da escola para o futuro.

