Visita à Senzala do Barro Preto
Nesta quinta-feira, 12 de outubro, a renomada economista Mariana Mazzucato, que é diretora do Institute for Innovation and Public Purpose (IIPP) da University College London (UCL), esteve na Senzala do Barro Preto, sede do icônico bloco afro Ilê Aiyê, situado em Salvador. Durante a visita, Mazzucato teve a oportunidade de conhecer de perto as ações voltadas para a Economia Criativa desenvolvidas pela entidade.
A agenda da economista faz parte de uma missão internacional de pesquisa que abrange temas como cultura, economia criativa e o Carnaval brasileiro. Esta iniciativa é resultado da parceria entre o Ministério da Cultura (MinC) e o IIPP, contando com a cooperação técnica da Unesco.
Trabalho Social do Ilê Aiyê
O Ilê Aiyê se destaca como um dos principais blocos afros do Brasil, exercendo um papel fundamental na comunidade do Curuzu, onde está localizado. A entidade não apenas celebra a cultura afro-brasileira, mas também realiza um trabalho social significativo, oferecendo uma escola de educação infantil gratuita que atende do primeiro ao quarto ano do ensino fundamental. Além disso, o espaço proporciona aulas de corte e costura, gerando cerca de 250 empregos diretos e 100 postos de trabalho temporários durante o Carnaval.
No interior da sede do bloco, são concebidas e fabricadas mais de três mil fantasias utilizadas nos desfiles de Carnaval. Todo o suporte logístico, que inclui a montagem de instrumentos musicais e a preparação de alimentos para a equipe, é realizado por membros da comunidade local.
A Importância da Inclusão Social
Edmilson das Neves, um dos diretores do Ilê Aiyê, enfatizou que a prioridade da entidade vai além das fantasias de Carnaval. “Nosso foco está nos programas de inserção social”, destacou. Ele ainda observou que o bloco é um símbolo de resistência contra o racismo, ressaltando a forte presença feminina na entidade: “80% dos membros do bloco são mulheres. Aqui, somos guiados por uma estrutura matriarcal”, afirmou.
Mariana Mazzucato elogiou a abrangência do projeto e sua capacidade de impacto. “O Ilê é um castelo que deve ser replicado como um sistema. É um exemplo exemplar a ser seguido”, declarou. Ela também sugeriu a realização de intercâmbios e conferências com os integrantes do bloco a fim de ampliar os estudos sobre Economia Criativa desenvolvidos ali.
Reconhecimento e Futuro do Carnaval
Vovô do Ilê, fundador da entidade, destacou que a Senzala do Barro Preto se diferencia das senzalas do passado. “Aqui, promovemos acolhimento, autoestima e transformação”, afirmou, enfatizando a importância do espaço como um local de fortalecimento comunitário.
Durante sua visita, Mazzucato também participou da abertura oficial do Carnaval e se reuniu com Ana Paula Matos, vice-prefeita de Salvador e secretária municipal de Cultura e Turismo. Juntas, elas discutiram potenciais ações de cooperação para aprimorar ainda mais a festa soteropolitana. Ana Paula expressou: “Quero estar ao lado de vocês. Ter o Ministério aqui é crucial. Espero que esta pesquisa nos ajude a identificar nossas potencialidades”.
A vice-prefeita ressaltou que o Carnaval de Salvador gera cerca de 250 mil postos de trabalho e que a Prefeitura oferece serviços de acolhimento e saúde para filhos de trabalhadores da festa, que não têm com quem deixar as crianças durante os eventos.
Missão Cultural
A missão internacional de pesquisa de campo sobre cultura, economia criativa e Carnaval não se limitou a Salvador. As cidades do Rio de Janeiro e Brasília também foram incluídas na agenda, que faz parte do esforço do Governo do Brasil para reposicionar a cultura como um eixo estratégico no desenvolvimento nacional, planejamento estatal e fortalecimento das capacidades públicas.

