A Indefinição de Castro e seu Impacto Político
Nos últimos dias, a situação política do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, tornou-se um verdadeiro enigma. Com especulações sobre sua renúncia, que poderiam ocorrer logo após o carnaval, no início de abril ou até mesmo em 20 de março, a mais atual entre seus aliados sugere que ele pode permanecer no cargo até o seu aniversário, em 29 de março. Isso indica que a desincompatibilização deve ocorrer perto do limite estipulado pela Justiça Eleitoral, aumentando as incertezas sobre o futuro político do governador.
Além da sucessão, Castro tem enfrentado diversas questões jurídicas que complicam ainda mais sua situação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reavaliará em breve o caso Ceperj, que investiga um suposto esquema de abuso de poder nas eleições de 2022, com potencial para resultar na cassação e inelegibilidade do governador. Com o fim do período de um pedido de vista que suspendeu a análise do caso, a relatora do processo, ministra Isabel Gallotti, já se manifestou a favor da condenação, o que poderia pressionar a decisão de Castro.
Possíveis Consequências da Renúncia
Se perceber que o resultado da votação no TSE tende a ser desfavorável, Castro pode optar por deixar o governo antes da conclusão do julgamento. Essa estratégia permitiria alegar que não haveria motivo para cassar alguém que já não estivesse mais na posição. Embora a inelegibilidade fosse mantida, seus aliados acreditam que ele ainda poderia concorrer ao Senado, utilizando recursos judiciais para adiar a resolução de sua situação.
Outro fator que gera preocupação é a eleição indireta que o estado enfrentará caso Castro decida se afastar do governo. Desde que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o Rio não possui um vice-governador. Na semana passada, a Assembleia Legislativa aprovou um projeto de lei que estabelece as regras para a votação interna que escolherá um governador interino, mas há receios de que o texto seja alvo de judicialização, dada sua ambiguidade.
Judicialização e os Grupos Políticos
Diferentes grupos políticos demonstram interesse em questionar a legalidade da lei no Supremo Tribunal Federal (STF), porém, cada um por motivos distintos. No círculo de Castro, há a proposta de que a própria base governista escolha um dos partidos aliados para entrar com uma ação no STF rapidamente, visando garantir segurança jurídica antes que o governador se descompatibilize. Um ponto crucial é a exigência da Alerj que requer que os candidatos na eleição indireta sejam indicados por seus partidos, o que pode dificultar a indicação do secretário de Casa Civil, Nicola Miccione. Embora filiado ao PL, ele não é o favorito entre os líderes do partido, que estão mais inclinados a apoiar o secretário de Cidades, Douglas Ruas.
Adicionalmente, uma mudança recente nas regras de desincompatibilização, ajustando o prazo para candidatos na eleição indireta para 24 horas após a publicação do edital, desencadeou debates legais. Sem uma diretriz clara do STF sobre esse assunto, a alteração foi vista como razoável por alguns, mas também levanta questões constitucionais que precisam ser analisadas. A indefinição atual de Castro aponta para a fragilidade de sua posição, uma vez que ele não controla o processo sucessório e não tem certeza sobre seu futuro na Justiça Eleitoral.
Impactos e Estratégias de Deriva
A possibilidade de judicializar o projeto de lei também permeia outros grupos políticos. O prefeito Eduardo Paes (PSD), que pretende ser candidato ao governo em outubro, vê a entrada com uma ação no STF como uma estratégia que pode ser adotada apenas após a saída de Castro do governo. Essa medida teria como objetivo prolongar o tempo que o interino, Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, estaria no comando até a eleição indireta, minimizando a chance de que um adversário forte surja para ameaçar sua candidatura.
A preocupação de Paes gira em torno do tempo que o PL terá para indicar um governador que potencialmente possa se tornar um adversário nas próximas eleições. A escolha de um nome forte, como Douglas Ruas, poderia oferecer à direita uma vantagem significativa, permitindo que administrassem a máquina pública antes da campanha. Assim, a indefinição política de Castro não apenas afeta seu futuro, mas também molda o cenário eleitoral do Rio de Janeiro, com desdobramentos que prometem ser intensos nos próximos meses.

