Reflexões sobre o Carnaval Carioca
O Carnaval do Rio de Janeiro de 2024 já é lembrado como um marco na história da festa. Com uma ocupação hoteleira superior a 95%, o evento atraiu cerca de 340 mil turistas estrangeiros, destacando a importância do Rio como um ícone do turismo brasileiro. A Embratur, em um esforço para solidificar essa imagem, busca sanar conflitos políticos entre o Estado e a Prefeitura, que muitas vezes dificultam a realização de um evento ainda mais grandioso.
A experiência no Sambódromo, onde inovações são constantemente introduzidas, mostrou um desempenho notável em termos de organização e controle dos desfiles. No entanto, algumas questões precisam de atenção urgente. Um dos principais problemas foi a superlotação nos camarotes, onde muitos foliões se sentiram apertados e encontraram dificuldades até para acessar os banheiros. A fiscalização, nesse contexto, é uma medida essencial para garantir que a capacidade seja respeitada e a segurança dos participantes seja mantida.
A Nova Dinâmica dos Turistas
Os turistas não se concentram mais em apenas um setor do desfile. As agências de turismo têm adquirido ingressos em diversas áreas, dificultando a prestação de um atendimento mais personalizado. É necessário implementar um sistema de credenciamento eficiente para garantir que os profissionais que atuam ali tenham a intenção de auxiliar os visitantes, e não apenas aproveitar as credenciais para promoção pessoal. Além disso, as falhas na concessão de credenciais resultam em dificuldades para os organizadores verificarem a autenticidade das solicitações.
Desafios da Infraestrutura
O crescimento dos blocos de rua, tanto os formais quanto os informais, tem gerado situações insustentáveis, como foliões invadindo marquises e enfrentando a falta de banheiros. A infraestrutura disponível não é suficiente para atender à demanda. Algumas regiões do Centro e da Zona Sul tornam-se verdadeiros obstáculos para os moradores, e é imprescindível que a Prefeitura inicie um planejamento que distribua os blocos de rua para áreas mais adequadas, como o Parque Rita Lee, na Barra Olímpica.
Inovações nos Eventos
Os bailes de Carnaval e as tradicionais feijoadas carecem de criatividade, com exceção de algumas iniciativas, como o baile de máscaras realizado no Fairmont Copacabana. Este evento se destacou por sua organização, com check-in ágil via QR Code e um buffet inovador sob a supervisão do renomado chef Jérôme Dardillac. Além disso, a presença de Ludmilla encantou os participantes. Contudo, a cobertura fotográfica parece ter falhado em capturar a diversidade do público presente, limitando-se a um número reduzido de pessoas que se destacavam pela fantasia.
O Papel do Corpo Consular
É importante ressaltar que o Corpo Consular, que nutre uma admiração especial pelo Rio, pode ser melhor aproveitado em eventos de grande porte. Sua participação pode aumentar a visibilidade internacional do Carnaval, especialmente com o apoio de jornalistas e correspondentes estrangeiros que cobrem a festa.
Segurança e Logística
Outro ponto que necessitou de ajustes foi o horário de início dos desfiles da Liesa, que, devido a acordos de transmissão, teve seu início às 4 horas da madrugada. Essa mudança trouxe problemas de segurança, incluindo furtos e roubos, principalmente em áreas residenciais não turísticas. Embora o esquema de segurança do governo tenha melhorado, algumas áreas continuam vulneráveis. Para os próximos anos, especialmente em 2026, é crucial que o planejamento do evento leve em consideração esses desafios e busque soluções mais eficazes.
Com quase 48 anos dedicados ao turismo, a expectativa é que as transformações proporcionadas pelo Carnaval continuem a impulsionar a economia local e a promover uma política de turismo que transcenda interesses partidários. Os desafios são grandes, mas a celebração cultural e social que o Carnaval proporciona é um patrimônio que merece ser celebrado e aprimorado.

