Decisão no TSE Pode Ser Interrompida Novamente
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão considerando a possibilidade de que o julgamento que poderá resultar na cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), não seja concluído em sua próxima sessão, marcada para o dia 10 de março. A expectativa é que, ao reiniciar a análise, possa haver um novo pedido de vista, o que interromperia a deliberação.
O julgamento será reiniciado com o voto do ministro Antonio Carlos Ferreira, que havia pedido vista do caso em novembro. Ministros do TSE, em conversas com o GLOBO, expressaram a opinião de que essa questão, por sua natureza sensível, deve levar a mais solicitações de tempo para uma análise aprofundada.
Na última quinta-feira, Ferreira liberou seu voto, e a presidente do TSE, Cármen Lúcia, prontamente marcou o julgamento. O desfecho desse caso é considerado de grande relevância para o cenário político do Rio de Janeiro, uma vez que Castro almeja uma cadeira no Senado nas próximas eleições.
O governador enfrenta acusações de abuso de poder político e econômico, por supostamente utilizar a Fundação Ceperj e a Uerj para a contratação de cabos eleitorais, o que ele nega. O processo também envolve o deputado estadual Rodrigo Bacellar, que é presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Além das implicações políticas para Castro, uma eventual cassação também afetaria a atual liderança do estado, resultando em mudanças na linha sucessória. O voto da relatora do caso, ministra Isabel Gallotti, que foi o único apresentado até este momento, foi desfavorável ao governador.
No seu voto, Gallotti propôs a realização de eleições suplementares para o governo do estado e a retotalização dos votos referentes ao cargo de deputado estadual após a cassação de Rodrigo Bacellar.
O processo investiga se Cláudio Castro se beneficiou de um esquema que envolve a distribuição de cargos e recursos para assegurar apoio político, com a ministra afirmando que a situação revela um “conjunto de circunstâncias extremamente graves”.
— A análise conjunta das condutas demonstra um elaborado esquema de utilização da estrutura administrativa estadual e seus recursos para influenciar no processo eleitoral — destacou a ministra. Ela também mencionou que os investigados usaram seus poderes no governo estadual para criar um projeto de poder.
Durante sua exposição, Gallotti ainda refutou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia absolvido a chapa de Castro com um placar de 4 votos a 3. Essa nova avaliação ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal, que, segundo informações do colunista Lauro Jardim, foi finalizada e está ligada ao caso da Ceperj, o que pode impactar o julgamento no TSE.

