Os Desafios dos Eleitores Independentes
A corrida eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro rapidamente se polarizou, e a chave para a vitória pode estar nos independentes, representando 29% do eleitorado. Uma pesquisa recente da Genial/Quaest revela que esse grupo se divide entre conservadores e progressistas, mas a maioria se alinha à centro-direita. O levantamento, que abrangeu 2.004 eleitores, foi realizado em 5 de outubro e evidencia a complexidade de rotular esses cidadãos, que não se identificam nem com lulistas nem com bolsonaristas.
A pesquisa traz à tona cinco grupos principais: lulistas (20%), esquerda não-lulista (15%), independentes (29%), direita não-bolsonarista (22%) e bolsonaristas (13%). A primeira observação é que bolsonaristas e não-bolsonaristas apresentam concordância em diversas questões, o que tem contribuído para o avanço de Flávio nas pesquisas após ser indicado como o sucessor de Jair Bolsonaro. Por outro lado, a esquerda não-lulista se posiciona à esquerda de Lula, demonstrando que o presidente ainda é uma figura maior que o próprio partido.
Os independentes, como esperado, apresentam características variadas. Na média, são mais mulheres, têm acima de 30 anos, residem principalmente no Sudeste, e se identificam como pardos e católicos. Essa diversidade faz com que suas opiniões sejam flexíveis e, muitas vezes, contraditórias. Entre os pontos em que eles demonstram afinidade com lulistas e a esquerda, destacam-se a isenção do Imposto de Renda até R$5 mil, o aumento de impostos para os mais ricos e a manutenção do Bolsa Família. Já em relação aos bolsonaristas e à direita, concordam que os auxílios sociais podem diminuir a disposição para o trabalho e defendem a liberdade de expressão absoluta.
Os independentes se posicionam de maneira ambígua em temas que dividem lulistas e bolsonaristas, como o impeachment de Alexandre de Moraes e a confiabilidade das urnas eletrônicas. Segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest, “rotular um eleitor é um trabalho complexo. Alguém pode ser conservador em um tema, como o aborto, e progressista em outro, como o casamento gay.” O escore ideológico criado pela pesquisa mostra que a maior parte dos eleitores independentes está próxima das posições da centro-direita.
A notícia não é necessariamente positiva para Flávio Bolsonaro, que enfrenta a mesma rejeição que Lula. Em uma pesquisa anterior da Genial/Quaest, 64% dos independentes manifestaram a intenção de não votar nem em Lula nem em Flávio, um dado alarmante para a campanha do senador. A sensação de antipolítica é forte entre os independentes, que concordam com a afirmação de que “todos os candidatos são corruptos”. Além disso, 30% afirmaram não pretender votar nas opções disponíveis no primeiro turno, e essa taxa cresce para 38% no segundo turno.
O desafio para Lula e Flávio não será apenas conquistar a atenção dos independentes, mas também fazê-los acreditar na importância de suas escolhas. É fundamental apresentá-los como alternativas viáveis, mesmo em um cenário onde ambos os lados enfrentam descontentamento.

