Celebrações Musicais em Torno de Jorge Aragão
No próximo domingo, dia 1º de março, Jorge Aragão, ícone do samba, completará 77 anos. Este artista carioca, cuja carreira começou a ganhar notoriedade há 50 anos com a gravação do samba “Malandro” por Elza Soares, continua a receber homenagens. O samba, uma composição de Aragão junto com João Batista Alcântara, conhecido como Jotabê, foi criado em 1968, muito antes de seu nome se tornar familiar no cenário musical.
Recentemente, na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, foi a vez do cantor Renan Oliveira apresentar seu álbum ao vivo intitulado “Samba e Prece – Renan Oliveira Canta Jorge Aragão”. Essa gravação traz uma experiência audiovisual do show realizado em novembro, onde Oliveira interpreta clássicos como “Mutirão de Amor” (composto em parceria com Zeca Pagodinho e Sombrinha) e “Moleque Atrevido” (junto a Flávio Cardoso e Paulinho Resende). O evento ocorreu na casa de samba Batuq, situada na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, e esse lançamento é o terceiro tributo a Jorge Aragão em menos de um ano.
Tributos Recentes e a Diversidade da Obra de Aragão
O mês de fevereiro também viu o lançamento do álbum “Mar de Aragão – Monobloco Canta Jorge Aragão”, pela banda carioca Monobloco no dia 6. Este trabalho destaca os sucessos carnavalescos de Aragão, incluindo faixas icônicas como “Alegria Carnaval” e “Toque de Malícia”. Com 26 músicas em 12 faixas, “Samba e Prece” ressalta a diversificada obra de Jorge, que é conhecido como O Poeta do Samba. Essa denominação se deve ao caráter melancólico de suas melodias e às letras líricas que refletem sobre amor, desamor e a identidade negra, como exemplificado em “Identidade” (1992). Essa canção, assim como outras, é apresentada com arranjos especiais de Jotinha Harmonia.
Nascido em 1º de março de 1949, Jorge Aragão se torna referência no samba, transcendendo as barreiras do Rio de Janeiro, sua cidade natal, que também celebra seu aniversário no mesmo dia. Com uma infância marcada pelo bairro de Padre Miguel e sua conexão com a escola de samba Mocidade Independente, Aragão é um dos bambas que se destacaram no pagode dos anos 1980.
Percurso Musical e Influências na Carreira de Jorge Aragão
Curiosamente, Jorge não foi influenciado pelo samba desde a infância; sua adolescência foi marcada pelo rock. Foi apenas aos 18 anos que ele se envolveu com o samba, sob influência de Jotabê, seu parceiro nos primórdios da carreira, incluindo no sucesso “Logo Agora” (1979). Antes de se tornar um sambista renomado, Aragão trabalhou como corneteiro de quartel, mas sua verdadeira vocação foi descoberta nas rodas de samba, especialmente na quadra do Cacique de Ramos, onde Beth Carvalho gravou “Vou Festejar” (1978), uma de suas composições.
A trajetória de Jorge Aragão é repleta de conquistas e homenagens. Artistas como Eliana Pittman, Monobloco e Renan Oliveira celebram sua obra por meio de álbuns e interpretações que variam em estilo, mas compartilham o mesmo amor pelo cancioneiro de Aragão. Cada um desses tributos demonstra o respeito e a relevância que Jorge Aragão continua a ter na música brasileira, provando que sua influência perdura e se renova a cada geração.

