A Importância da Tecnologia na Saúde Digital
No painel “Rodada Brasil: do Prontuário Eletrônico ao Cuidado Populacional – Experiências Estaduais”, a secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Claudia Mello, que tem uma trajetória de quase 25 anos na SES-RJ, enfatizou que a pandemia de Covid-19 foi um verdadeiro divisor de águas para a saúde pública no estado.
“Ao longo das últimas décadas, observei diversas transformações em nossa forma de atuar, muitas delas viabilizadas pela tecnologia. Em 2020, a crise trouxe à tona o desafio da assistência, mas também a urgência de integrar informações. Antes, lidávamos com pilhas de relatórios em papel e bancos de dados desconectados. Para reverter essa situação, realizamos investimentos em infraestrutura, softwares e capacitação de pessoal”, relembrou Mello.
Fiscalização Sanitária 100% Digital
Claudia Mello também destacou uma das metas alcançadas: a transformação da fiscalização sanitária para um modelo totalmente digital. O projeto VIG Digital, que foi lançado em 2024, substituiu o uso de papel por 180 tablets e permitiu a inspeção de 1.400 estabelecimentos de saúde, como hospitais e hemocentros.
“A importância desse sistema é notável, pois conseguimos reduzir em 50% o tempo médio das inspeções. Além disso, conseguimos economizar 1,7 tonelada de papel por ano. Isso representa ganhos operacionais e sustentáveis”, comentou a secretária.
Centro de Inteligência em Saúde: Um Marco para a Gestão
A secretária também revelou os benefícios da criação do Centro de Inteligência em Saúde (CIS), inaugurado em 2023, que integra o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde e a Regulação. “Esse é um grande orgulho para este governo, pois unificamos a fiscalização e a digitalização de setores críticos na gestão da SES-RJ, com o apoio estratégico da OPAS. Atualmente, nosso Centro de Inteligência em Saúde é uma referência nacional em análise de dados, apresentando indicadores em tempo real sobre possíveis agravos à saúde”, afirmou Mello.
A Humanização nos Processos de Saúde
Durante a abertura do evento, Tânia Mara Coelho, presidente do Conass, ressaltou a necessidade de que a humanização dos processos esteja sempre presente nas práticas cotidianas de profissionais e gestores da saúde. “Embora este evento trate de saúde digital, o foco deve ser sempre no paciente. É essencial promover a equidade, a responsabilidade e a eficiência nos serviços, que, mesmo com toda a tecnologia, não funcionam sem o comprometimento humano. A humanização precisa ser uma prioridade, utilizando a informação para garantir um atendimento de qualidade. Esse é um dos maiores desafios de liderança e governança”, destacou Coelho.
A secretária Claudia Mello, por sua vez, agradeceu o empenho dos profissionais de saúde, ressaltando que as transformações realizadas dependem do engajamento deles. No painel, Mello mencionou um problema crítico identificado em 2023: cerca de 43% dos pacientes que foram convocados para consultas ou exames não compareceram. Para enfrentar essa situação, a SES-RJ desenvolveu, com o apoio de Inteligência Artificial, a assistente virtual SERena, que envia lembretes automáticos via WhatsApp em três etapas (no agendamento, 10 dias antes e 2 dias antes).
Resultados Positivos da Assistente SERena
Recentemente, a SERena ganhou uma nova funcionalidade: agora pode esclarecer dúvidas das unidades solicitantes por meio de um chatbot disponível 24 horas por dia.
Inovação Aberta e Ferramentas para a Saúde
Durante o evento, a secretária também mencionou o Desafio de Inovação Aberta, que foi lançado em 2024 para atrair startups interessadas em apresentar soluções digitais para o Sistema Único de Saúde (SUS). O estado do Rio de Janeiro foi pioneiro nessa abordagem, resultando em 100 propostas recebidas, com quatro selecionadas para implementação.
Além disso, a SES-RJ desenvolveu uma ferramenta para auxiliar médicos e enfermeiros no manejo clínico da dengue, permitindo que os profissionais identifiquem o grupo de risco dos pacientes com base nos sinais e sintomas apresentados. Essa solução, que foi disponibilizada para todos os estados brasileiros, tornou-se um modelo de referência nacional.
“Essas ferramentas digitais permitiram à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro otimizar recursos e aumentar a eficiência dos processos, garantindo que o paciente seja tratado com dignidade, técnica e segurança”, finalizou Claudia Mello.

