Reestruturação Política no Estado
A política no Rio de Janeiro passou por uma reestruturação significativa nas últimas semanas, com o governo estadual intensificando as exonerações de aliados do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União). Fontes ligadas ao governo afirmam que essas mudanças são uma resposta direta ao relatório final da Polícia Federal (PF), que indiciou Bacellar por suspeitas de envolvimento com o Comando Vermelho (CV).
A pressão para as exonerações cresceu após o afastamento de Bacellar e a divulgação do relatório da PF. A baixa mais recente ocorreu na última terça-feira, quando André Moura foi exonerado do cargo interino de secretário estadual de Representação em Brasília. O posto agora é ocupado pelo delegado da Polícia Federal Bráulio do Carmo Vieira de Melo. Segundo interlocutores do governo, a permanência de Moura era considerada incômoda tanto na base aliada quanto na Alerj. Apesar de sua saída de Brasília, ele ainda ocupa a posição de secretário estadual de Governo, que também vem sendo alvo de pressão política.
Exonerações e Avaliações no DER-RJ
No mesmo Diário Oficial, foi anunciada a exoneração de Gladstone Felippo Santana, que atuava como vice-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ). A situação do presidente do órgão, Pedro Henrique de Oliveira Ramos, também está sendo analisada e ele pode ser o próximo a deixar o cargo.
O processo de exonerações teve início em 24 de fevereiro, com a demissão da então secretária de Educação, Roberta Barreto, uma indicação direta de Bacellar. Para seu lugar, o governador Cláudio Castro (PL) nomeou Luciana Calaça, que anteriormente dirigia a Fundação Leão XIII. Três dias após essa mudança, veio o indiciamento público do deputado e o relatório da PF foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigação da PF e Rede de Influência
Durante as apurações, a PF apreendeu uma planilha datada de abril de 2023, um período em que Bacellar havia consolidado sua liderança na Alerj. Esse documento, autorizado pela PF, mapeava a rede de influência do deputado em órgãos com expressiva execução orçamentária, como o DER-RJ, o Detran-RJ e as fundações Leão XIII e Ceperj. O relatório da PF descreve essa planilha como um “mapa de controle” que registrava os setores e cargas sob domínio de deputados aliados de Bacellar, além de anotar pedidos de novas nomeações. Para a PF, essa estrutura ampliou a ingerência da Alerj sobre o Executivo, esvaziando prerrogativas do governo estadual.
Disputa pelo Comando e o Futuro da Gestão
As exonerações ocorrem em um contexto de disputa estratégica pelo controle do Palácio Guanabara, com o governador Cláudio Castro (PL) prevendo se desincompatibilizar em abril para concorrer ao Senado. Membros do governo admitem, em conversas reservadas, que as mudanças representam apenas o começo de uma reestruturação mais abrangente. O objetivo é eliminar a influência do grupo de Bacellar e garantir uma transição que esteja alinhada aos interesses do PL e da nova Alerj.
A substituição de nomes ligados a Bacellar abre novas frentes de disputa política. Aliados do presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), defendem a implementação de restrições conjuntas com o Legislativo, no entanto, há resistência no Executivo. O governador deixa claro que não deseja repetir arranjos do passado, quando Bacellar tinha acesso direto a cronogramas para cargos estratégicos.

