Contexto Político e Alianças Estratégicas
A recente aliança política entre Eduardo Paes e a família Reis revela uma divisão clara no cenário político do Rio de Janeiro, com ecos que vão de Lula ao bolsonarismo. No centro da discussão, o julgamento que pode resultar na cassação do atual governador Cláudio Castro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pela ministra Cármen Lúcia. A pressão em torno do caso cresce, especialmente após a Polícia Federal iniciar investigações relacionadas à família Reis e sua conexão com os Bolsonaro, especificamente em virtude de um suposto caso de falsificação de documentos durante a vacinação do ex-presidente. O clima é tenso e a expectativa é alta.
Em meio a esse cenário, Washington Reis, atualmente uma figura influente em Duque de Caxias, expressou sua intenção de apoiar a candidatura de Paes para governador, destacando a relevância do evento que não focou diretamente na presidência, mas sim no governo do estado. Durante o anúncio de apoio, o prefeito enfatizou a necessidade de unir forças diversas em prol de um objetivo comum. ‘O que fazemos aqui hoje é juntar um grupo de pessoas que não pensa tudo igual’, afirmou Paes, numa clara alusão à necessidade de um diálogo que transcenda as divisões políticas tradicionais.
Apoio de Lula e Interesses Regionais
O apoio do presidente Lula à aliança foi um ponto relevante mencionado por Paes, que garante ter comunicado diretamente o chefe do Executivo sobre a nova formação política. Essa ligação com o governo federal pode trazer vantagens, dado o histórico de antipatia entre o petismo e o estado do Rio. É fundamental, segundo Paes, não limitar a aliança a um discurso nacional, mas adaptar-se às peculiaridades locais, principalmente em um estado onde a oposição ao PT é forte.
A presença da família Reis na aliança se justifica também pela relevância eleitoral de Duque de Caxias e da Baixada Fluminense. Jane Reis, escolhida como candidata a vice, tem um histórico de atuação em projetos sociais e uma boa relação com as igrejas evangélicas, o que pode garantir um suporte fundamental nas urnas. A família já conta com representação na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, o que fortalece ainda mais sua posição no tabuleiro político.
Desafios e Críticas ao Governo Atual
Em seu discurso, Paes não poupou críticas ao governo de Cláudio Castro, afirmando que a política no Rio de Janeiro não pode ser confundida com uma mera associação para interesses pessoais. ‘Essas outras forças também vão estar unidas. Como falta política, mas outros motivos os motivam, eles vão estar unidos para tentar manter o poder no Estado do Rio’, acusou o prefeito, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais ética e responsável na gestão pública.
A exoneração de Reis da Secretaria de Transportes por Rodrigo Bacellar ilustra as tensões internas no governo atual e sua incapacidade de unir as forças que o apoiaram. Com a movimentação política intensa e a iminência do julgamento no TSE, as alianças e desavenças tendem a se intensificar, moldando o futuro político do estado.
A Segurança Pública e o Futuro das Eleições
Outro ponto crucial levantado por Paes foi a questão da segurança pública no estado. Ao criticar a figura do ‘bravateiro’ de 2018, Wilson Witzel, o prefeito se posicionou contra a retórica vazia e prometeu um tratamento mais rigoroso para os criminosos. ‘A cumplicidade que o estado tem hoje com vocês vai acabar a partir de janeiro de 2027’, garantiu Paes, deixando claro que a segurança será uma das bandeiras de sua campanha.
Com a chegada do MDB à sua base de apoio, Paes agora fortalece sua candidatura e amplia seus horizontes políticos, atraindo um partido de centro que pode trazer novos aliados para sua campanha. A articulação de alianças se mostra vital em um cenário onde a competição é acirrada, especialmente com a presença de partidos como o PL, que já governa importantes municípios do estado.
Por fim, Washington Quaquá, um dos representantes do PT presente no evento, pediu uma maior união entre os partidos em prol da candidatura de Paes. ‘É importante que esse país distensione. Nessa sala apertada cabe muito mais gente’, concluiu, reforçando a necessidade de colaboração em um momento político tão delicado.

