Aliança Estratégica na Baixada Fluminense
Eduardo Paes (PSD) consolidou um importante apoio político ao garantir o respaldo do prefeito de Nova Iguaçu, segundo maior colégio eleitoral da Baixada Fluminense, à sua candidatura para o governo do Rio de Janeiro. A confirmação de Dudu Reina, do PP, marca o nono prefeito da região a declarar apoio a Paes. A presença do ex-prefeito Rogério Lisboa, também do PP e principal líder político do município, reforçou a articulação. Lisboa, que até julho integrava a chapa do candidato do PL ao governo, Douglas Ruas, mudou o cenário ao migrar para o lado de Paes, configurando uma reviravolta tida como “jogada de mestre” na política estadual.
Além de Lisboa, a adesão de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias, maior colégio eleitoral da região, também foi determinante. Reis indicou sua irmã, Jane Reis, como vice na chapa de Paes, que lidera as pesquisas para o governo estadual. A Baixada Fluminense concentra 22% do eleitorado do Rio e historicamente exerce papel decisivo nas eleições locais e nacionais.
Influência dos Caciques Locais e Impacto no Bolsonarismo
Historicamente, a região contou com líderes expressivos, como Tenório Cavalcanti, conhecido como “Homem da Capa Preta”, que exerceu forte influência política em Duque de Caxias. Atualmente, Reis e Lisboa são as principais lideranças locais. O apoio desses dois caciques foi essencial para as vitórias de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad em 2018 e contra Lula em 2022.
O apoio a Paes representa uma ruptura com o bolsonarismo no estado. Apesar de Reis declarar apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência e Lisboa manter neutralidade, a aliança com Paes acaba beneficiando indiretamente Lula, conforme indicam pesquisas internas do PT. A avaliação de um político experiente da Baixada destaca que a eleição para governador na região influencia diretamente o voto para a Presidência, e o apoio a Paes dilui parte do suporte ao bolsonarismo.
Leia também: Eduardo Paes amplia liderança na corrida pelo governo do Rio com 37 pontos de vantagem
Leia também: Eduardo Paes Inicia Campanha ao Governo do Rio na Igreja da Penha com Apoio Evangélico e Católico
Outro fator relevante é o acesso facilitado aos eleitores, especialmente em áreas dominadas por milícias, que historicamente foram hostis ao PT. O alinhamento político local favorece a aproximação da campanha de Lula com esses territórios.
Transformação da Configuração Política Regional
O professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ, Luiz Eduardo Motta, ressalta que o voto clientelista predomina na Baixada Fluminense, onde o apoio dos prefeitos ao candidato estadual é tradicionalmente decisivo. Entretanto, a renúncia do governador Cláudio Castro e a falha do PL em promover Douglas Ruas ao governo alteraram o contexto político.
Sem um governador em exercício para liderar a base, Paes conseguiu mobilizar os prefeitos da região, neutralizando a influência bolsonarista que se apoiava na máquina estatal liderada por Castro nas eleições anteriores. Motta também lembra que a Baixada já registrou vitórias eleitorais baseadas em discursos que enfatizaram as contradições sociais, como as campanhas de Leonel Brizola e Lula.
Estratégia do PT e Desafios na Baixada
Carlos Ferreira, o Ferreirinha, integrante da executiva estadual do PT e coordenador da macrorregião da Baixada Fluminense, explica que o partido aposta em uma frente ampla para ampliar seu campo político. A articulação territorial envolve parlamentares, lideranças locais e a mobilização da militância para alcançar as comunidades.
Leia também: Eduardo Paes Inicia Campanha na Baixada com Carreata em Nova Iguaçu ao Lado de Líderes Locais
Leia também: Eleições no Rio: Paes se posiciona como Contraponto em Busca de Alianças Estratégicas
Apesar de reconhecer que a entrada de Reis e Lisboa na campanha de Paes enfraquece Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas na região, Ferreirinha ressalta que o benefício a Lula não é automático, já que os caciques não manifestaram apoio direto ao candidato petista.
Celso Pansera, potencial puxador de votos do PT na Baixada, avalia que a escolha de Jane Reis como vice na chapa de Paes é um movimento estratégico para equilibrar forças na região, especialmente diante do apoio do pai de Ruas, Major Nélson, prefeito de São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do estado. Ele destaca que a campanha na Baixada é territorializada, com forte presença de rua, caminhadas e comícios, e que o apoio das máquinas eleitorais locais é fundamental para o sucesso.
Perspectivas para as Eleições Estaduais
Para o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, Paes tem mais a ganhar com essas alianças do que Lula. A articulação visa impedir o avanço de Douglas Ruas na região e ampliar as chances do ex-prefeito na disputa pelo governo estadual. Pansera, candidato pela terceira vez ao governo do estado, observa que o ambiente para as campanhas do campo político está mais favorável, apesar de alguns desafios relacionados à violência.
O fortalecimento das candidaturas de Lula e Paes na Baixada configura um cenário competitivo, com a possibilidade real de o PT conquistar a região nas próximas eleições. A combinação entre a força eleitoral de Lula e as articulações locais de Paes pode redefinir o mapa político do Rio de Janeiro.

