Conexões Perigosas no Cenário Político
Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi detido em dezembro passado, acusado de ter alertado o ex-deputado Thiego Santos, conhecido como TH Joias, sobre sua iminente prisão em uma operação da Polícia Federal (PF) contra o crime organizado. Os investigadores levantaram a suspeita de que o vazamento da operação ocorreu quando a PF não encontrou TH Joias em sua residência ao iniciar a ação.
Após uma semana de sua prisão, Bacellar foi liberado após a revogação de sua detenção pelos demais deputados estaduais. Desde então, ele tem solicitado licenças frequentes para se afastar das atividades legislativas. TH Joias, por sua vez, enfrenta acusações em dois inquéritos relacionados a organização criminosa, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas.
Indiciamento e Relações Comprometedoras
Nesta sexta-feira (27), a PF indiciou Bacellar e TH Joias por obstrução de justiça, junto com outras três pessoas: Flávia Júdice, esposa do desembargador Macário Júdice Neto, que atuava no gabinete de Bacellar; Jéssica de Oliveira Santos, mulher de TH Joias; e Thárcio Nascimento Salgado, assessor parlamentar. O desembargador Júdice Neto também é mencionado no relatório como o responsável por ter alertado Bacellar sobre a prisão de TH Joias. Contudo, ele não foi indiciado devido ao foro privilegiado, e seu caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República.
No relatório da PF, os investigadores afirmam que Bacellar se destacou por sua “capacidade de articulação espúria em todos os poderes fluminenses”, o que lhe permitiu obter favores e construir uma rede de influência. Essa habilidade, segundo o documento, o colocou na liderança da organização criminosa investigada e facilitou o vazamento de informações para TH Joias, alvo da operação.
Atuação e Conexões com o Comando Vermelho
Embora TH Joias seja um membro ativo do Comando Vermelho, com contatos diretos com líderes da facção criminosa, Bacellar sabia das atividades ilegais do ex-parlamentar e trabalhou para protegê-lo. Atualmente preso em um presídio federal, TH Joias é acusado de lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas da facção, além de mediar a compra de armas e equipamentos tecnológicos para o grupo.
A PF afirma que Bacellar também buscava proteger TH Joias para utilizar sua influência em futuras campanhas políticas em áreas dominadas pelo Comando Vermelho. Em depoimento, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixo, um dos chefes do CV e próximo de TH Joias, corroborou essa versão.
Bacellar e sua Influência no Governo do Estado
A PF destacou a forte influência de Bacellar na gestão do governador Cláudio Castro (PL), atribuindo a ele a responsabilidade por diversas indicações a cargos no governo. Essa prática sustentava seu capital político na Alerj. As investigações revelaram uma planilha eletrônica encontrada no computador do chefe de gabinete de Bacellar, Rui Bulhões Júnior, que continha pedidos de deputados estaduais para nomeações na administração estadual.
Dentre os deputados mencionados na planilha, estavam nomes como Douglas Ruas, secretário de Cidades e pré-candidato ao governo do Rio; e Guilherme Delaroli, presidente interino da Alerj. Além disso, Bacellar teria indicado pessoalmente alguns secretários para a administração de Castro, ressaltando sua influência política, reforçada pela fragilidade do governador, que enfrentou escândalos e uma possível cassação.
Campanha Eleitoral e Outros Escândalos
De acordo com a PF, Bacellar já estava em campanha para assumir o governo, com um organograma detalhado de sua futura administração, incluindo nomes para seu secretariado. A investigação também trouxe à tona o caso das contratações irregulares no Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisa e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj), onde Bacellar é réu ao lado de Castro, investigado por supostamente usar esses contratos para pagar cabos eleitorais.
A defesa de Bacellar alegou em nota que as investigações não apresentam provas concretas contra o deputado, referindo-se a elas como meras ilações. A defesa de TH Joias também negou as acusações, afirmando que a relação entre ele e Bacellar era estritamente profissional.

