A Importância da Prevenção para a Saúde Pública
A promoção de hábitos saudáveis é uma estratégia fundamental que pode diminuir significativamente a incidência de doenças crônicas e aliviar a pressão sobre o orçamento do Estado. A incorporação de políticas de bem-estar como um elemento central da saúde pública vem ganhando destaque em discussões tanto no Brasil quanto em cenários internacionais. Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, são responsáveis por aproximadamente 74% das mortes no mundo. Muitas dessas condições estão ligadas a fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, alimentação inadequada e estresse, o que reforça a urgência de implementar estratégias preventivas integradas.
O médico cardiologista Hans Dohmann, que possui uma vasta experiência em gestão de saúde, defende uma reorientação dos sistemas de saúde rumo a modelos que priorizem a prevenção e o acompanhamento contínuo dos pacientes. Com formação de mestre pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele argumenta que o modelo atual ainda é muito reativo, focando excessivamente no tratamento de doenças já instaladas. “O enfoque apenas no tratamento é insustentável. Devemos trabalhar na promoção da saúde de forma contínua e estruturada”, afirma Dohmann.
Impactos das Doenças Crônicas na Saúde Pública
Os dados do Ministério da Saúde revelam que as doenças crônicas representam mais de 70% dos gastos com assistência no Sistema Único de Saúde (SUS). Para Dohmann, isso demonstra um desequilíbrio entre os investimentos em prevenção e tratamento. Ele acredita que fortalecer a atenção básica e implementar um acompanhamento sistemático de grupos de risco pode levar a uma diminuição significativa nas internações que poderiam ser evitadas. “Quando conseguimos identificar riscos precocemente, podemos intervir de maneira mais eficaz e com menos custos”, observa.
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Experiências internacionais corroboram essa visão. Relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que para cada dólar investido em ações de prevenção, há um retorno em economia de até três dólares em despesas futuras com saúde. Países que adotaram políticas integradas voltadas para o bem-estar, que incluem desde atividades físicas até educação em saúde, têm demonstrado uma redução consistente na incidência de doenças crônicas ao longo do tempo.
atenção primária e o Uso de Tecnologia
No Brasil, a expansão da estratégia de atenção primária é vista como um dos pilares fundamentais para a reorganização do sistema de saúde. Estudos da Fundação Oswaldo Cruz evidenciam que a ampliação da Estratégia Saúde da Família está diretamente relacionada à diminuição da mortalidade por causas evitáveis. Dohmann, que já esteve à frente de processos de gestão para a ampliação da rede assistencial no país, aponta que o grande desafio atual reside na integração entre o cuidado presencial e o uso de ferramentas digitais. “A tecnologia pode aumentar o alcance da atenção primária, garantindo um acompanhamento contínuo mesmo fora das unidades de saúde”, explica.
Desafios e Sustentabilidade do Sistema de Saúde
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A sustentabilidade do sistema de saúde é outro ponto crucial em debate. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, até 2030, o número de idosos no Brasil superará o de crianças. O envelhecimento da população deve aumentar a demanda por serviços de saúde e pressionar o orçamento público, principalmente em relação a doenças crônicas de longa duração. Dohmann enfatiza que, para enfrentar esse cenário, é necessário promover uma integração entre diferentes setores além da saúde. “Saúde não é uma responsabilidade exclusiva do sistema de saúde. Envolve educação, urbanismo, alimentação e políticas sociais. Apenas com essa colaboração poderemos construir um modelo mais eficiente e sustentável”, afirma.
Sobre Hans Dohmann
Hans Dohmann é um respeitado médico cardiologista, mestre pela UERJ e doutor pela UFRJ. Com experiência que abrange gestão pública e o setor privado, ele atua como diretor médico da Stone, onde lidera o desenvolvimento do Hospital Virtual Verde.

