Gisele de Paula e sua trajetória na Bienal
Desde pequena, Gisele de Paula exibia sua criatividade de maneira audaciosa. Rabiscando as paredes de casa, a artista causava preocupação em sua mãe, Regina Lúcia, que muitas vezes se via diante de uma geladeira nova transformada em uma tela improvisada. Hoje, aos 37 anos, Gisele se destaca como arquiteta e expógrafa, sendo a primeira mulher negra a assumir a expografia da Bienal de São Paulo, que chegou à sua 36ª edição em janeiro deste ano. Agora, ela leva sua arte ao Museu de Arte do Rio (MAR), na zona portuária, com a abertura da mostra marcada para amanhã e exibição até 3 de maio.
A exposição no MAR faz parte do programa itinerante da Bienal, que ao longo dos próximos meses contará com uma série de mostras, nacionais e internacionais. Para Gisele, o retorno ao MAR é um marco especial, já que foi neste espaço que iniciou sua trajetória profissional, primeiramente como arquiteta em uma construtora, e mais tarde como mediadora e gerente operacional.
“Sinto-me em casa. Ninguém conhece melhor este prédio do que eu”, revela, cheia de entusiasmo. A curadoria da Bienal se interessou por seu trabalho devido à explosão de cores que Gisele traz para seus projetos. O curador geral, Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, tinha a visão de criar uma Bienal vibrante, refletindo a pluralidade e a continuidade da humanidade. “Não se trata apenas de um conceito que a Bienal me oferece, mas da possibilidade de sonhar”, acrescenta Gisele.
Uma nova experiência no MAR
Gisele se dedicou a desenvolver soluções criativas para adaptar os 33 mil m² do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, em São Paulo, para os 600 m² do MAR. A proposta da Bienal deste ano, “Nem todo viandante anda estradas — Da humanidade como prática”, foi inspirada no poema “Da calma e do silêncio”, de Conceição Evaristo, e busca explorar as bases da convivência entre os seres humanos.
A curadoria da versão carioca é assinada pela convidada Keyna Eleison, que selecionou obras de 19 artistas, incluindo Akinbode Akinbiyi, Berenice Olmedo, e Maxwell Alexandre, para nomear apenas alguns. Este conjunto de artistas traz diferentes perspectivas sobre a convivência e o respeito mútuo, valores centrais da exposição.
Conversas sobre convivência e respeito
“Trabalhamos a ideia de convívio e respeito”, afirma Keyna Eleison. “Podemos não entender ou até discordar das atitudes de todos, mas é fundamental respeitar e defender a presença de cada um.” Apesar de o curador-chefe não ser brasileiro, Eleison destaca que a curadoria traz um viés de aproximação que reflete afetividades locais, enriquecendo a experiência da mostra.
Com essa parceria entre Gisele de Paula e Keyna Eleison, a Bienal no Rio promete ser um espaço de reflexão e descoberta, onde a arte se torna um meio de conectar pessoas e promover o diálogo sobre as diversas facetas da convivência humana.

