Medida Gera Polêmica
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) apresentou um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo o pagamento de bônus a policiais envolvidos em mortes durante operações. Essa proposta, conhecida como “Gratificação Faroeste”, foi revelada pelo portal ICL na última quarta-feira (26) e tem gerado intensos debates sobre sua legalidade e moralidade.
O Projeto de Lei (PL) 6.027/25, iniciativa do governador Cláudio Castro (PL), foi aprovado pela Alerj em 23 de dezembro de 2025. A proposta visa criar uma gratificação financeira por mérito, atribuindo recompensas individuais a policiais que resultem na morte de suspeitos em serviço. Os valores das bonificações variam entre 10% e 150% do salário do policial, respeitando o teto constitucional estabelecido.
Retorno da Proposta Após Vetos
Embora a proposta tenha sido inicialmente vetada por Castro em outubro do mesmo ano, alegando dificuldades financeiras, ela foi posteriormente restabelecida graças à articulação de deputados estaduais e acabou sendo promulgada pela própria Alerj em dezembro. Essa reviravolta reforçou a discussão sobre as implicações éticas e legais dessa medida.
O ofício entregue ao ministro Alexandre de Moraes argumenta que, em cenários extremos, a atuação policial pode ser considerada um “dever legal de matar” quando os agentes estão diante de indivíduos cometendo crimes, com o intuito de proteger potenciais vítimas. No entanto, o documento se posiciona contra qualquer interpretação que vincule a norma à “neutralização de criminosos”, expressão que aparece no texto legislativo em questão.
Contexto Legal e Controvérsias
A manifestação da Alerj foi enviada em resposta ao pedido de informações do ministro Moraes no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7921, que foi movida pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). O partido questiona a constitucionalidade da legislação, ressaltando preocupações com os direitos humanos e a possibilidade de incentivos a abusos de poder nas operações policiais.
A discussão se intensifica em um contexto onde as práticas policiais e a relação com a comunidade têm sido frequentemente debatidas, especialmente em um país marcado por altos índices de violência. A proposta de bônus aos policiais por mortes levanta questionamentos sobre a ética na segurança pública e o papel do estado na proteção dos direitos de todos os cidadãos.
Desdobramentos e Expectativas
O desfecho deste caso dependerá da análise do STF, que terá de decidir se a medida proposta pela Alerj é compatível com a Constituição e os direitos fundamentais dos cidadãos. A expectativa é de que a Corte se pronuncie em breve, dada a relevância do tema e suas implicações diretas na política de segurança pública do Rio de Janeiro e, por extensão, em todo o Brasil.
Enquanto isso, a pressão sobre os parlamentares e a administração estadual aumenta, à medida que a sociedade civil e organizações de direitos humanos acompanham de perto o avanço desse projeto. O debate sobre a segurança pública e o uso da força por parte das autoridades continua em pauta, refletindo a complexidade e os desafios enfrentados pelo sistema de justiça e pela política no país.

