Folia em disputa: escolas se preparam para brilhar na Marquês de Sapucaí
O Carnaval de 2026 no Rio de Janeiro promete ser um espetáculo à parte, com as escolas da Série Ouro desfilando na Marquês de Sapucaí nesta sexta-feira (13) e no sábado (14), a partir das 22h. Este grupo, que serve como porta de entrada para a elite do carnaval carioca, é alvo de grande expectativa, já que apenas a campeã conseguirá subir para o Grupo Especial. Em contrapartida, as duas últimas colocadas enfrentarão a queda para a Série Prata.
Os desfiles serão transmitidos ao vivo e com exclusividade pela Band, que repetirá o modelo adotado em 2025, enfatizando a valorização das escolas que compõem a Série Ouro. A apuração dos resultados está marcada para quinta-feira (19), logo após a Quarta-feira de Cinzas, um momento que sempre gera grande expectativa entre as agremiações e o público.
Na primeira noite de desfiles, um total de seis escolas se apresentarão, cada uma com enredos que refletem a riqueza cultural e social do Brasil. Confira a programação:
Unidos do Jacarezinho: Um tributo ao cantor Xande de Pilares
A Unidos do Jacarezinho retorna ao palco da Sapucaí após 12 anos de ausência, e o enredo deste ano, intitulado “O ar que se respira agora inspira novos tempos”, faz uma homenagem ao cantor Xande de Pilares, filho da comunidade. A proposta do desfile é conectar a trajetória do artista com a identidade do Jacarezinho, abordando temas como pertencimento, superação e a importância cultural do pagode na formação do samba contemporâneo.
Inocentes de Belford Roxo: A magia do frevo pernambucano
A agremiação da Baixada Fluminense, Inocentes de Belford Roxo, apresenta o enredo “Um sonho de um tal Pagode Russo nos frevos do meu Pernambuco!!”. Neste espetáculo, a escola promete levar o público a uma viagem cultural pelo estado de Pernambuco, trazendo referências ao frevo, maracatu, bonecos de Olinda, culinária e turismo. O desfile busca evidenciar a diversidade cultural de Pernambuco como um patrimônio brasileiro, ressaltando sua relevância histórica e econômica.
União do Parque Acari: A valorização do teatro negro
Assinada pelo carnavalesco Guilherme Estevão, a União do Parque Acari traz o enredo “Brasiliana”, que celebra a brasilidade por meio do teatro negro. A proposta homenageia um grupo pioneiro e busca valorizar a ancestralidade afro-brasileira, unindo arte, cultura popular e identidade social. O enredo é caracterizado por um forte apelo lírico e social, destacando a importância da cultura negra na formação da identidade do país.
Unidos de Bangu: A trajetória de Leci Brandão
A Unidos de Bangu presta uma homenagem à cantora, compositora e deputada Leci Brandão com o enredo “As coisas que mamãe me ensinou”. O desfile traça a trajetória artística e política da artista, ressaltando temas como resistência, cultura e representatividade. A proposta visa apresentar Leci como um símbolo da conexão entre samba, militância e identidade popular.
Unidos de Padre Miguel: Um tributo à resistência indígena
O enredo “Kunhã-Eté – O Sopro Sagrado da Jurema” dos Unidos de Padre Miguel homenageia a heroína indígena Clara Camarão. A narrativa entrelaça mito e história, destacando a força do povo potiguara e sua resistência ao longo dos séculos. Este desfile tem como foco a espiritualidade, ancestralidade e a memória coletiva, temas que ressoam profundamente na tradição carnavalesca.
União da Ilha do Governador: O imaginário do Cometa Halley
Com o enredo “Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois”, a União da Ilha do Governador aborda o imaginário relacionado ao Cometa Halley. A proposta mistura ciência, misticismo e a irreverência do carioca, utilizando a passagem do cometa como metáfora de alegria, festa e a relação do povo com o tempo e o universo. O desfile promete unir referências espaciais com elementos tradicionais do samba.
Acadêmicos de Vigário Geral: Uma reflexão sobre a colonização
Fechando a primeira noite de desfiles, a escola Acadêmicos de Vigário Geral propõe o enredo “Brasil Incógnito – O Que os Seus Olhos Não Veem, a Minha Imaginação Reinventa”. A proposta visa fazer uma releitura crítica do imaginário colonial, transformando figuras fantásticas e o bestiário da colonização em uma reflexão social. O desfile questiona visões históricas e propõe novos olhares sobre o país, um tema que se torna cada vez mais relevante nos dias de hoje.
O sábado será marcado pelos desfiles das demais escolas da Série Ouro, completando a disputa que definirá quais agremiações se destacarão e conquistarão o acesso ao Grupo Especial, além daquelas que enfrentarão o rebaixamento após a leitura das notas.

