Crescimento do Turismo em meio à Queda do Varejo
O Carnaval de 2026 trouxe resultados mistos para a economia brasileira. De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o varejo nacional registrou uma queda de 8% no faturamento, quando analisado entre os dias 13 e 18 de fevereiro, em comparação ao mesmo período do ano anterior, que se estendeu de 28 de fevereiro a 5 de março. Esse recuo, como evidenciado pelos especialistas, decorre principalmente de fatores relacionados ao calendário, já que em 2025 as vendas foram impulsionadas pela data de pagamento dos salários que ocorreu no começo de março.
A diferença nos períodos comparados também influenciou o resultado, considerando que em 2026 o Carnaval caiu em uma semana intermediária, afetando as expectativas de consumo. O impacto foi sentido de maneira mais acentuada em setores como Bens Não Duráveis, que viu uma retração de 10,2%, enquanto os Bens Duráveis e Semiduráveis enfrentaram uma queda de 5,7%. O segmento de Serviços também apresentou um recuo de 2,5% durante o mesmo intervalo.
O Papel dos Supermercados e a Trajetória do Turismo
Um dos principais fatores que contribuíram para essa situação foi a performance dos supermercados, que tiveram uma queda significativa de 17,2% em todo o Brasil. Essa diminuição reflete a comparação entre o início do mês em 2025 e a semana intermediária de 2026, o que impactou diretamente no faturamento do setor. Apesar da pressão no varejo, um contraponto se estabelece com o setor de Turismo e Transporte, que avançou 3,3%. Isso indica que, mesmo com as dificuldades enfrentadas por outros setores, a procura por viagens e experiências de lazer durante o feriado se manteve firme.
Em um panorama mais detalhado, o levantamento apontou que os Hotéis apresentaram um crescimento de 4,3%, mostrando que os consumidores estão priorizando atividades de turismo. Cinemas também reportaram um aumento de 1,3%, enquanto o Transporte Urbano cresceu 0,2%. É interessante observar que, mesmo com a queda no consumo, bares e restaurantes enfrentaram desafios ainda maiores, registrando quedas de 5,4% e 9,4%, respectivamente.
Desempenho das Capitais Durante o Carnaval
A queda de 8% no varejo nacional foi mais acentuada do que nas capitais, que se beneficiaram do espírito festivo do Carnaval. Cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador apresentaram recuos menores. Por exemplo, a capital mineira viu uma queda de apenas 1%, enquanto o Rio de Janeiro registrou uma retração de 1,9% e Salvador de 3,1%. Em Recife, a diminuição foi um pouco mais acentuada, alcançando 5,8%, enquanto São Paulo apresentou uma baixa de 5,9%.
Curiosamente, no Rio de Janeiro, o setor de Turismo & Transporte cresceu 9,3%, o que demonstra um apetite robusto por deslocamentos e atividades turísticas. Salvador também viu um leve crescimento de 1,1% no mesmo setor, enquanto em Recife, a queda foi de apenas 1,9%, apresentando um desempenho melhor que outros segmentos locais. Em Belo Horizonte, as Drogarias cresceram 1,6%, e o segmento de Recreação & Lazer viu um avanço de 0,5%. No entanto, São Paulo, por sua vez, enfrentou um panorama desafiador, com todos os segmentos analisados em queda, destacando-se a queda acentuada em supermercados (-10,2%) e bares e restaurantes (-9,6%).
Impacto das Condições de Mercado no Varejo
A retração de 17,2% nos supermercados durante o Carnaval e as variações nas capitais são indicativas das condições de mercado e do comportamento do consumidor. As capitais enfrentaram quedas que variaram de 7,2% em Belo Horizonte a alarmantes 22% no Rio de Janeiro, segundo os dados do ICVA. A diferença no calendário entre os anos foi significativa e, segundo especialistas, a tendência de maior volume de compras no início do mês gerou um efeito de comparação que prejudicou os resultados de 2026.

