Transformação de Bar Temático em Escola de Samba
A história da Casa de Malandro é uma verdadeira lição de como a cultura pode se reinventar. Localizada inicialmente na Rua Clara Nunes, próxima à quadra da Portela, essa casa começou como um bar temático que rapidamente se transformou em uma escola de samba. Jorge Eduardo Porto, conhecido como Jorge do Batuke e compositor da ala da Portela, destaca que a Casa de Malandro se diferencia por sua essência. Ao contrário de outras escolas que têm raízes nas tradições da macumba, a Casa promove um ambiente que celebra a alegria do axé. ”Nunca um botequim virou escola de samba”, enfatiza ele, ao contar como a atmosfera festiva na Casa se destaca, especialmente durante as competições de samba-enredo. Ele revela que durante a final, optou por investir três vezes mais em cerveja para os foliões do que o habitual, criando uma energia única.
Na trajetória de Jorge, ele já conquistou três títulos de samba de terreiro e foi um dos autores do samba que a Portela apresentou na Sapucaí em 2019, intitulado “Na Madureira Moderníssima, Hei Sempre de Ouvir Cantar Uma Sabiá”. Para compor o samba da Casa de Malandro, Jorge relata ter recebido orientações de uma entidade espiritual, José Esquina, que lhe proporcionou inspiração. A crítica especializada reconheceu a melodia do samba como uma das melhores entre os grupos de acesso, e sua letra ganhou notoriedade através de uma gravação feita pelo influenciador digital André Samba Enredo.
Competência e Espiritualidade no Carnaval
A Casa de Malandro também se destacou por contar com a experiência de vários integrantes que anteriormente desfilaram em outras escolas tradicionais. Um membro notável, conhecido como Falcão, já ocupou posições de destaque na direção de carnaval tanto na Casa de Malandro quanto na Unidos do Viradouro, que conquistou o título do Grupo Especial neste ano. O carnavalesco Marcus Ferreira, responsável por assinar o carnaval da Casa, também teve seu talento reconhecido na União da Ilha, que desfilou na Série Ouro. Além disso, o coreógrafo da comissão de frente, Júnior Scapin, também trouxe sua expertise da União da Ilha, contribuindo para o brilho da apresentação.
A Casa de Malandro contou ainda com o suporte espiritual de entidades como Zé Pilintra e Maria Navalha. Durante a concentração, oferendas como cerveja, vela e cigarro foram deixadas em homenagem a essas figuras, um ato que muitos acreditam ter contribuído para a vitória. Com um total de 179,5 pontos, a Casa de Malandro competiu contra 14 outras agremiações e conquistou o primeiro lugar com o enredo “Quem bebe marafo não pega feitiço”. A vice-campeã, Difícil é o Nome, acumulou 179,3 pontos, e ambas as escolas se apresentarão na Série Bronze em 2027, sonhando em escalar até a Marquês de Sapucaí.
Planos para o Futuro da Casa de Malandro
Romeu de Almeida, conhecido como Romeu D’Malandro e presidente da escola, expressa ambição ao afirmar que o objetivo é chegar à Série Ouro e, quem sabe, até o Grupo Especial. Ele comentou: “A União de Maricá ganhou e vai para a elite em 2027, então sonhar não custa nada.” Após a vitória, Romeu fez uma visita à estátua de Zé Pilintra na Lapa para agradecer pela conquista.
A Casa de Malandro, que iniciou suas atividades como bar temático em 2022, decidiu encerrar suas operações em todos os seus pontos no final do ano passado para se dedicar integralmente à escola de samba. “A decisão de fechar o bar é definitiva. Agora queremos nos concentrar na escola e realizar shows com cantores que representem essa temática, tanto no Rio quanto em outros estados”, afirma o presidente. Ele estima que investiu cerca de R$ 150 mil na disputa pelo título, reforçando seu comprometimento com o projeto.

