Concentração de Riqueza Global Atinge Níveis Alarmantes
Um estudo recente da Oxfam revelou que a fortuna dos bilionários cresceu três vezes mais rápido desde a eleição de Donald Trump, totalizando impressionantes US$ 2,5 trilhões em apenas um ano. Este aumento de riqueza seria suficiente para erradicar a pobreza extrema no mundo 26 vezes, enquanto a cada quatro pessoas, uma enfrenta algum grau de insegurança alimentar, incluindo a fome. O relatório “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Protegendo a Liberdade do Poder dos Bilionários” foi lançado na véspera do Fórum Econômico Mundial, que acontece anualmente em Davos, na Suíça, reunindo líderes econômicos e políticos de renome.
O documento destaca que a concentração de renda está no seu pico em 30 anos, onde os 10% mais ricos da população global agora controlam 75% da riqueza, enquanto a metade mais pobre carrega apenas 2%. Em um contexto onde a desigualdade econômica continua a se aprofundar, a Oxfam critica as políticas que favorecem a elite, alertando para o risco de um mundo cada vez mais desigual.
Agenda Favorável aos Bilionários Impulsiona Riqueza
De acordo com a Oxfam, o crescimento acelerado da riqueza dos bilionários está intimamente ligado a decisões políticas tomadas durante a administração Trump. A agenda do ex-presidente dos Estados Unidos incluiu cortes de impostos para grandes fortunas e uma diminuição nos esforços para tributar grandes empresas, além de uma abordagem desregulamentada em relação ao mercado. Essas medidas, conforme relatado, criaram um ambiente onde os mais ricos não apenas acumularam mais riquezas, mas também pagaram proporcionalmente menos impostos.
Embora os bilionários americanos tenham experimentado os maiores aumentos, essa tendência se evidenciou em níveis globais. Bilionários de outras partes do mundo também relataram crescimento nas suas fortunas, incentivados por um cenário internacional que favoreceu o capital, especialmente nos setores de tecnologia e inteligência artificial (IA).
Concentração de Riqueza no Brasil
No Brasil, a situação não é diferente. O país possui o maior número de bilionários da América Latina, totalizando 66, que somam uma fortuna de aproximadamente US$ 253 bilhões. Em termos de concentração de riqueza, 10% mais ricos no Brasil detêm 70% da riqueza nacional. Segundo a Oxfam, o sistema tributário no Brasil é considerado regressivo, pois a maior carga tributária recai sobre a renda do trabalho, afetando desproporcionalmente as famílias de baixa renda.
Embora a recente reforma do imposto de renda tenha trazido alguns avanços, como a ampliação da isenção para rendas baixas e o aumento da tributação sobre os mais ricos, ainda existem lacunas a serem preenchidas, particularmente em relação à taxação de dividendos e heranças. O estudo ressalta que, para combater de maneira eficaz a desigualdade, é imprescindível que o governo implemente reformas mais abrangentes.
Influência Política e Mídia
Um aspecto preocupante destacado no relatório é a maneira como a concentração de riqueza se traduz em poder político. A Oxfam estima que os bilionários têm 4 mil vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Uma pesquisa em 66 países revelou que quase metade da população acredita que os ricos compram eleições. Além disso, a presença de bilionários em eventos decisórios internacionais levanta questões sobre a equidade e a representatividade nas discussões sobre políticas globais, como na COP28 da ONU, onde 34 bilionários participaram como delegados.
A dominação dos bilionários também se estende ao setor da mídia, com muitos controlando as principais empresas de comunicação do mundo. Exemplos incluem Jeff Bezos com o Washington Post e Elon Musk com o Twitter/X. A Oxfam destaca que essa concentração de poder pode prejudicar a democracia e a função crítica da mídia.
Propostas para Mitigar a Desigualdade
Frente a esse cenário alarmante, a Oxfam propõe que os governos priorizem a redução da desigualdade econômica em suas agendas. Isso inclui a implementação de planos nacionais com objetivos claros para a redistribuição de renda, fortalecimento de serviços públicos e proteção dos direitos trabalhistas. Além disso, defende a necessidade de uma tributação justa sobre os super-ricos e a correção de distorções que favorecem a elite em detrimento da população em geral.
É evidente que reformas pontuais não são suficientes para enfrentar um problema estrutural que impacta tanto a economia quanto a democracia. Por isso, a Oxfam conclui que é essencial que os governos adotem uma abordagem mais coesa e efetiva para combater a desigualdade.

