Possibilidade de Ampliação do Quinquênio
A decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe novas perspectivas para o funcionalismo público brasileiro. Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), enfatizou que a validação do adicional por tempo de serviço abre a porta para que essa proposta seja estendida a todos os servidores. Segundo o STF, o adicional em questão não poderá exceder 35% do teto salarial, permitindo um acréscimo de 5% a cada cinco anos, restrito ao limite de 35 anos de serviço.
Marques destacou a equidade ao afirmar: “Se a magistratura tem esse direito, nós também. Somos servidores públicos, atuamos em prol do Estado brasileiro e exigimos respeito. O adicional precisa ser ampliado para todos os funcionários públicos, tanto ativos quanto aposentados”.
Limites e Preocupações do Governo
A nova norma aprovada permite que até 70% do teto salarial dos servidores seja reservado para verbas indenizatórias ou adicionais por tempo de serviço. Essa regra foi dividida em dois blocos, cada um limitando-se a 35%. Um dos blocos refere-se à valorização por tempo de carreira (5% a cada cinco anos) e o outro diz respeito a verbas como diárias, ajuda de custo para remoção e férias não usufruídas. Essa decisão está gerando preocupação no governo, visto que outras carreiras poderiam reivindicar o mesmo benefício, uma vez que o quinquênio foi extinto na União em 2003.
Adicionalmente, representantes do Judiciário e do Ministério Público (MP) manifestaram resistência à decisão que limita os chamados “penduricalhos” a 70% do teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46.366,19, correspondente ao salário de um ministro.
Reações e Críticas ao Termo ‘Penduricalhos’
Luciana Carneiro, coordenadora da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Poder Judiciário Federal e do Ministério Público da União (Fenajufe), criticou o uso do termo “penduricalhos” em referência aos direitos dos servidores: “Nós não temos penduricalhos. Temos um vencimento básico e um adicional de qualificação. Somente a magistratura recebe verbas por produtividade. Vale ressaltar que a produção dos despachos e decisões é fruto do trabalho árduo dos servidores”. Ela destaca o desgaste que essa situação provoca aos trabalhadores da área.
Manifestação das Associações de Magistrados
Em uma nota pública divulgada logo após a decisão do STF, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e 39 associações afiliadas expressaram sua preocupação com o impacto que a nova regra terá sobre cerca de 18 mil magistrados, apontando para uma redução imediata em seus rendimentos. Essa nova diretriz, segundo o documento, compromete direitos adquiridos ao longo de anos, reconhecidos por órgãos administrativos e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“A magistratura já enfrenta um cenário de desvalorização, acumulando perdas acima de 50% em relação aos vencimentos, enquanto a carga de trabalho e complexidade das demandas aumenta significativamente”, afirmam os magistrados.
Possíveis Efeitos da Decisão
Além das preocupações com o impacto financeiro, a nota dos magistrados também ressalta que a decisão poderá afetar a atratividade da carreira, trazendo consequências para a eficiência da prestação jurisdicional. Eles mencionam que a licença compensatória de um dia de folga a cada três dias trabalhados, considerada inconstitucional pelo STF, era uma compensação pelos esforços extraordinários dos juízes, que lidam com uma alta carga de processos.
O presidente do Sindicato dos Servidores do Ministério Público, Vinicius Zanata, esclareceu que a decisão diz respeito exclusivamente aos membros do Judiciário e do MP, não afetando carreiras auxiliares. “Essa normativa aplica-se apenas a promotores, procuradores e juízes, ou seja, a carreiras típicas de Estado, e não contempla as funções de apoio”, concluiu.

