A Transformação Cultural no Carnaval Carioca
Você sabia que o Carnaval das escolas de samba, tal como conhecemos no Sambódromo, tem suas raízes ligadas ao Natal? Para entender essa fascinante história, precisamos voltar à segunda metade do século 19. Naquele período, negros nordestinos, muitos deles escravos libertos e fugitivos de injustiças, deixaram Salvador em direção ao Rio de Janeiro, que era a capital do Brasil, em busca de uma vida melhor. Juntamente com eles, trouxeram a tradição dos ranchos, que influencia o Carnaval até os dias de hoje.
De acordo com o historiador Luiz Antônio Simas, “a estrutura das escolas de samba é inspirada nos ranchos, pois eles já apresentavam enredos, fantasias, comissões de frente e porta-estandartes. A principal inovação trazida pelas escolas de samba, no entanto, foi a música, uma vez que a marcha-rancho foi gradativamente substituída pelo samba urbano, que começou a se firmar na década de 1920”.
Os ranchos desfilavam no dia de Reis, em 6 de janeiro, e o primeiro desfile de que se tem notícia ocorreu na década de 1870. Esses cortejos aconteciam em uma área hoje conhecida como Pequena África, na Zona Portuária, onde se estabeleceu a comunidade afro-brasileira. O desfile costumava se encerrar na casa de Tia Ciata, uma figura icônica e matriarca da cultura negra carioca, conhecida por ser central para o surgimento do samba.

