Mudanças nas Regras Eleitorais
A expectativa em relação à eleição indireta no Rio de Janeiro tem gerado um clima de incerteza no cenário político. O governador Castro precisará se desincompatibilizar até 4 de abril, seis meses antes da votação, o que levará o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro, a convocar a Assembleia Legislativa (Alerj) para a votação em até 30 dias após a sua renúncia. Contudo, permanece a dúvida sobre como será essa votação: aberta ou secreta?
Outro fator importante que poderá impactar a disputa é a exigência constitucional de que políticos ocupando cargos no Executivo deixem suas funções antes da votação. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022, que não alterou os prazos para eleições indiretas, ainda é um ponto de dúvida em relação ao atual panorama. Entre os principais nomes cotados para a eleição, estão aqueles que ocupam pastas na administração atual: Nicola Miccione (PL), secretário da Casa Civil; Douglas Ruas (PL), secretário de Cidades; e André Ceciliano (PT), que atua como secretário de Assuntos Legislativos no Palácio do Planalto.
Entendimentos do STF e Implicações para o Rio
Um caso emblemático que influenciou a jurisprudência do STF foi a eleição indireta em Alagoas em 2022, quando o atual governador Paulo Dantas (MDB) assumiu o cargo. Naquele episódio, não houve a necessidade de desincompatibilização para os candidatos que eram deputados estaduais. Contudo, essa situação não estabelece um precedente claro para o Rio de Janeiro, onde a interpretação das regras pode variar. A ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) que estabeleceu normas para a eleição interna no estado deixou algumas questões em aberto, especialmente no que tange ao tipo de votação a ser adotada.
O relator da ADPF, Gilmar Mendes, destacou que os estados têm autonomia para regular a situação da dupla vacância da Chefia do Poder Executivo, mas devem respeitar os princípios constitucionais. Luiz Paulo (PSD), deputado estadual e autor do projeto de lei que baliza a eleição, defende que a discussão sobre o tipo de votação, se secreta ou aberta, precisa ser aprofundada. Segundo ele, a tendência da CCJ é emendar a proposta, alterando o prazo para 30 dias, mas a decisão final sobre as regras poderá recair novamente sobre o STF.
Voto Secreto Versus Voto Aberto
Embora o projeto de Luiz Paulo preveja voto secreto, o deputado expressa sua preferência pelo voto aberto, que, segundo ele, promove maior transparência nas decisões. A votação aberta é vista como uma forma de controle social, enquanto o voto secreto pode beneficiar candidatos menos favoritos, permitindo maior liberdade de escolha aos deputados. Essa questão gera debates acalorados entre os parlamentares, e a decisão da CCJ e do plenário será crucial para o desfecho das eleições internas.
As incertezas políticas no Rio aumentam, especialmente com a proximidade das eleições. É incomum que um governador chegue ao ano eleitoral sem um candidato definido para sucedê-lo. Castro deseja apoiar Nicola Miccione, mas ainda não se comprometeu totalmente com a eleição de outubro para o Palácio Guanabara. O prefeito Eduardo Paes (PSD) também está focado na sua candidatura e fez um acordo para que Miccione assumisse o cargo até o fim do ano, evitando assim um candidato fortalecido da direita.
Impactos da Pré-Candidatura de Flávio Bolsonaro
O cenário político no Rio se complica ainda mais com a entrada de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, que exige um forte apoio local. Isso altera o que parecia um plano tranquilo para a eleição interna. O nome de Douglas Ruas, atual secretário de Cidades, surge como um potencial candidato, mas há dúvidas sobre sua disposição em concorrer, já que ele também aspira à reeleição como deputado.
Outra figura que pode entrar na disputa é o ex-presidente da Assembleia André Ceciliano. Sua movimentação em busca de apoio entre aliados de Rodrigo Bacellar (União) gera preocupações, principalmente para Paes, que teme que uma vitória de Ceciliano possa ser usada como uma pressão política. Assim, as candidaturas e suas consequências para a política do estado se tornam cada vez mais complexas nesse ambiente incerto.
Com a saída de Castro e a previsão de uma dupla vacância no poder, a necessidade de uma eleição indireta se torna ainda mais evidente, complicando ainda mais o panorama político do Rio de Janeiro.

