A Importância da Eleição Direta
A disputa pela cadeira de governador do Rio de Janeiro permanece em aberto enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a possibilidade de uma eleição direta ou indireta para o cargo-tampão, após a saída de Cláudio Castro, do PL. Até agora, a votação se inclina 4 a 1 em favor das eleições indiretas, que seriam conduzidas pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). O ministro Flávio Dino solicitou vista do processo, resultando na suspensão da votação.
A cientista política e professora da UFRJ, Mayra Goulart, argumenta que a eleição direta é a única via que garante à população o direito de escolher seu representante. “Defender a eleição direta é essencial, pois a solução não envolve menos política ou menos voto, mas sim mais escolha e mais cidadania, permitindo que a sociedade exerça sua responsabilidade através do voto”, destaca.
O Cenário Político e os Riscos das Eleições Indiretas
Goulart ressalta que o PL, partido de Cláudio Castro, detém uma significativa influência política no estado, com 25% das cadeiras na Assembleia Legislativa, além de prefeituras e cadeiras na Câmara Federal. Ela prevê que uma eleição indireta poderia favorecer a ascensão de Douglas Ruas, um forte opositor do prefeito Eduardo Paes e potencial candidato ao governo do Rio. Neste contexto, caso Ruas se torne presidente da Alerj, ele poderia assumir o cargo de governador sem a necessidade de eleições, uma solução que, segundo a especialista, favoreceria os interesses do PL e de seus aliados.
“Com o pedido de vista, há um risco duplo: os deputados do PL e seus aliados poderiam eleger o próximo governador, mesmo que temporariamente, sem a participação popular”, afirma. Para Goulart, a política no Rio de Janeiro é marcada por uma trajetória de figuras que foram afastadas e condenadas por crimes, o que deixa a população exposta a instituições vulneráveis ao crime.
Insegurança e Estratégias Políticas
“A população vive cercada por instituições que estão permeadas de criminalidade em diversos níveis. Isso reflete uma insegurança generalizada que afeta o dia a dia dos moradores do Rio”, analisa a professora. Ela acredita que o pedido de vistas de Dino pode ser uma tática para adiar a decisão, o que tornaria inviável tanto uma eleição direta quanto indireta. Goulart sugere que, com essa manobra, o governo poderia nomear um ocupante para o cargo temporário sem a realização de um processo eleitoral, o que implicaria em manter Ricardo Couto como governador interino, dada sua posição na linha sucessória.
A especialista também expressa preocupação com a possibilidade de que a atual insegurança institucional gere espaço para candidatos anti-establishment, semelhantes a figuras como Wilson Witzel, que não respeitam as instituições. “Isso pode resultar em novos líderes que não têm compromisso com a democracia e que podem se manter no poder por meio de escândalos e práticas corruptas, como no caso de Cláudio Castro”, conclui.

