Os Bastidores da Escolha do Elenco
Para definir o elenco de “O Agente Secreto”, filme que concorre ao prêmio de melhor casting no Oscar 2026, o diretor de elenco Gabriel Domingues dedicou cerca de quatro meses a um rigoroso processo de seleção. Com a assistência de Carolina Martins e a colaboração de Marcelo Caetano, Gabriel compartilhou detalhes sobre como foram escolhidos cada um dos atores, ressaltando a riqueza cultural do Brasil presente nas interpretações.
Entre os próximos projetos de Gabriel estão a série “Brasil 70: A Saga do Tri”, disponível na Netflix, e o filme “Geni e o Zepelim”, dirigido por Anna Muylaert. Durante o processo de seleção para “O Agente Secreto”, ele encontrou talentos que se destacaram pela singularidade de suas performances.
O Impacto de Tânia Maria como Dona Sebastiana
Tânia Maria, conhecida como Dona Sebastiana, foi inicialmente contratada como figurante para “Bacurau”, aclamado filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. No entanto, sua presença marcante conquistou o público e a equipe. “Quando Kleber veio falar sobre ‘O Agente Secreto’, ele já queria trabalhar com a Dona Tânia”, disse Gabriel, mencionando também a escolha de atores renomados como Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido e Udo Kier.
O Desafio de Kaiony Venâncio como Vilmar
Kaiony Venâncio, que interpreta o matador Vilmar, foi descoberto durante pesquisas em Natal. Gabriel explica que a escolha dele atendeu a critérios subjetivos e complexos, lembrando o icônico “O Pistoleiro de Serra Talhada”, do documentário de Eduardo Coutinho. A ideia era encontrar uma figura que possuísse uma mistura de loucura e letargia, refletindo um aspecto subalterno e manso.
Robério Diógenes: O Delegado Euclides
Para o papel do delegado Euclides, a escolha de Robério Diógenes se mostrou desafiadora, já que a figura do delegado em thrillers normalmente segue estereótipos previsíveis. “Kleber queria um personagem que fosse rude e agressivo, mas com um toque de patetismo”, afirmou Gabriel. Robério, com origem no teatro popular cearense, traz um humor e uma palhaçaria que enriquecem sua interpretação.
Joálisson Cunha: O Frentista Icônico
Joálisson Cunha, que vive o frentista, é descrito por Gabriel como um ator icônico. “Quando você entrega um texto para ele, são 700 expressões que refletem sua cultura e vivências na Paraíba”, comentou. A performance de Joálisson trouxe uma dimensão de humanidade ao seu personagem, sublinhando a diversidade da atuação brasileira.
Geane Albuquerque e o Talento de Fortaleza
Geane Albuquerque, que interpreta Elizângela, foi uma descoberta valiosa para Gabriel. “Ela se destaca numa cena sublime sem revelar spoilers”, brincou. “Atores incríveis estão sempre surgindo no Brasil, e fico grato por isso”, acrescentou, ressaltando a fartura de talentos no país.
A Agenda Complicada de Alice Carvalho
Alice Carvalho, que interpreta Fátima, também enfrentou desafios logísticos em sua agenda. Ela estava gravando a novela “Renascer”, da TV Globo, e a complexidade da produção dificultou a junção de datas. “No final, conseguimos encaixar tudo”, compartilhou Gabriel, lembrando que Alice se juntou ao projeto em cima da hora, o que é uma prova de sua dedicação.
Hermila Guedes: Uma Diva do Cinema Brasileiro
Gabriel recorda que Kleber sempre admirou Hermila Guedes, cuja presença no filme é descrita como incrível. “Ela é uma pernambucana genial, e nunca haviam trabalhado juntos antes”, revelou. A química entre os diretores e a atriz promete brilhar nas telas.
Gabriel Leone e a Presença de Bobbi
Por último, Gabriel Leone foi escolhido para o papel de Bobbi, um personagem que exige forte presença, mesmo com pouco texto. “A presença dele é eloquente; ele comunica muito, mesmo em silêncio”, conclui Gabriel, evidenciando a importância do intérprete na construção do personagem.

