Mudanças Estratégicas na Política do Nordeste
Rogério Marinho, ex-ministro de Jair Bolsonaro e atualmente líder da oposição no Senado, manifestou anteriormente a intenção de concorrer ao governo do Rio Grande do Norte pelo PL. No entanto, aceitou a proposta de mudar seus planos para colaborar na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, seu colega de Congresso. A decisão foi anunciada por Marinho, que se comprometeu a integrar a pré-campanha de Flávio a pedido de seu pai, que se encontra preso em Brasília e designou o filho como candidato a presidente.
“Nos últimos dias, tenho sentido uma inquietação interna, causada pelas mudanças que a vida me impõe. Contudo, não posso recusar um pedido do presidente Bolsonaro. Não posso”, afirmou Rogério Marinho, ao explicar sua escolha.
Marinho é um nome significativo no contexto do bolsonarismo e na oposição ao governo Lula. Eleito senador em 2022, tentou presidir a Casa no ano seguinte, mas foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD), com 49 votos contra 32. Ao abdicar da candidatura no Rio Grande do Norte, Marinho declarou apoio ao pré-candidato Álvaro Dias (Republicanos), ex-prefeito de Natal.
Nessa trajetória, Marinho foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a visitar Bolsonaro na Papudinha no próximo dia 4 de fevereiro.
Durante uma sessão no Senado, Flávio Bolsonaro expressou seu agradecimento ao apoio de Marinho. Em um vídeo nas redes sociais, ele o descreveu como “um dos principais, mais preparados e competentes” personagens da política nacional.
“Eu sei que muitos de vocês devem estar apreensivos pela decisão que ele tomou. No entanto, tenho plena consciência de que Rogério está fazendo uma escolha pelo Brasil”, comentou Flávio. “Vamos realizar um trabalho excepcional em todo o país, e o Rio Grande do Norte será ainda mais beneficiado com Rogério Marinho fazendo parte desse grande time que planejo montar.”
Desempenho de Flávio no Nordeste
Uma pesquisa da Quaest, divulgada em 14 de janeiro, revelou que Flávio Bolsonaro possui entre 12% e 18% das intenções de voto no Nordeste, região que tradicionalmente apoia o presidente Lula (PT). O desempenho de Flávio varia de acordo com o cenário e os candidatos envolvidos nas simulações do 1º turno.
O melhor resultado para o senador, de 18%, ocorre quando ele disputaria com Lula, Romeu Zema (Novo), Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão), onde o presidente teria 62% das intenções. Por outro lado, o pior resultado na região é de apenas 12%, em uma simulação onde Lula alcança 65% dos votos.
Além disso, em uma simulação onde Flávio aparece com 13% contra Lula e outros destacados nomes da direita, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Júnior (PSD), Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novo), o cenário se torna ainda mais desafiador.
Histórico Eleitoral do Nordeste
O Nordeste tem se mostrado decisivo para as vitórias dos candidatos do PT nas últimas eleições presidenciais, solidificando-se como o principal reduto eleitoral do partido. Apesar de Jair Bolsonaro ter prevalecido em outras regiões do Brasil e ter sido eleito presidente em 2018, Fernando Haddad obteve uma vitória expressiva no Nordeste, conquistando 69,7% dos votos contra 30,3% de Bolsonaro.
Quatro anos depois, em 2022, Lula repetiu o feito ao derrotar Bolsonaro na região, com 69,34% dos votos, enquanto o ex-presidente obteve apenas 30,66%. Embora Lula não tenha vencido em nenhuma outra região, seu desempenho significativo no Nordeste, combinado com uma votação competitiva no Norte e no Sudeste, assegurou sua vitória em todo o país.

