Impacto Econômico e Cenário Eleitoral
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, abordou, em uma entrevista ao UOL nesta segunda-feira (19), a relação entre a economia e as eleições de 2026. Segundo Haddad, a situação econômica não deve ser vista como um fator decisivo para a vitória ou derrota do governo. Ele acredita que a população se torna mais ‘suscetível’ às mudanças de cenário, o que pode alterar as prioridades de preocupação da sociedade e, consequentemente, influenciar o pleito.
O ministro afirmou: ‘Eu não acredito que a economia vai derrotar o governo. Embora a economia, de fato, seja um indicador relevante em todo o mundo, ela não é necessariamente a única variável que determina o resultado eleitoral’. Haddad exemplificou sua análise com a recente Operação Contenção, que visou combater a influência do Comando Vermelho no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.
De acordo com ele, a atenção da população estava voltada inicialmente para a economia, mas rapidamente se deslizou para a segurança pública ao serem divulgadas as imagens e estatísticas da operação policial. ‘Toda fase mais extremista – e nós estamos vivendo uma fase de extrema-direita no mundo – gera esse tipo de instabilidade emocional. As pessoas ficam mais suscetíveis às notícias do dia, o que, por sua vez, ativa a chama da esperança em candidatos que, à primeira vista, pareciam improváveis’, ponderou Haddad.
Referências e Exemplos
Citanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Haddad fez uma observação crítica: ‘Se um candidato como Bolsonaro conseguiu chegar à Presidência, qualquer cidadão pode se sentir apto a aspirar a altos cargos no Brasil’. Essa reflexão destaca a volatilidade do cenário político atual, onde a percepção pública pode mudar rapidamente.
A entrevista de Haddad ocorre em um momento delicado para a economia brasileira, especialmente após o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisar suas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 1,9% para 1,6% em 2026. O relatório do FMI também prevê um crescimento global de 3,3% e um aumento de 2,2% para o PIB da América Latina.
No contexto da sua atuação política, Haddad parece relutante em considerar uma candidatura nas próximas eleições. Ele revelou que tem mantido conversas amistosas com o presidente Lula (PT) para discutir sua posição. Uma das alternativas que o PT está avaliando é a possibilidade de Haddad concorrer ao Senado por São Paulo.

