Potenciais Benefícios e Desafios para a Economia Brasileira
A produção de café, elemento central da agropecuária brasileira, promete ser uma das áreas que mais se beneficiarão com o novo acordo entre Mercosul e União Europeia. Segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a região Centro-Oeste é identificada como a que possui o maior potencial para colher os frutos dessa parceria comercial. A produtora rural Adriana Peruzzi, por exemplo, acredita que o acordo poderá aumentar o número de compradores de grãos, proporcionando uma ampliação de mercado e, possivelmente, uma valorização para os produtores.
Entretanto, a implementação do acordo não é isenta de desafios. Especialistas alertam para a necessidade de cumprimento rigoroso das normas ambientais e de preservação. A pesquisa da FGV destaca que a região Norte, por exemplo, poderá enfrentar dificuldades no comércio de produtos florestais e bioeconomia, especialmente se não atender às exigências de certificação exigidas pelo bloco europeu.
O Nordeste e os Desafios de Exportação
Por outro lado, o Nordeste também pode se beneficiar significativamente com a exportação de produtos primários, como frutas, açúcar e tabaco. Contudo, o relatório da FGV não deixa de ressaltar alguns obstáculos, como os desafios logísticos e a necessidade de adaptação às exigências sanitárias internacionais.
Ainda assim, as previsões são otimistas. Apesar da intensificação da concorrência em setores como o de autopeças, a expectativa é de um saldo positivo para a economia da região Sul. Produtores de carnes e alimentos processados são apontados como os que mais podem se beneficiar. Rafael Alexandre Ansolin, proprietário de uma granja suína em Cascavel, Paraná, expressou sua esperança em um crescimento considerável nos próximos anos, afirmando que o atendimento à demanda será crucial para o sucesso do setor.
Desafios para a Região Sudeste
Entretanto, o impacto do acordo na região Sudeste, a mais industrializada do Brasil, ainda gera incertezas. Esta região enfrentará a difícil tarefa de competir diretamente com as indústrias do bloco europeu. O estudo da FGV enfatiza que adequações significativas, com investimentos em modernização e melhorias na capacidade produtiva e no ambiente de negócios, serão imprescindíveis. A preocupação levantada é se o Brasil já possui uma estratégia bem definida para esse desafio.
Flávio Ataliba Barreto, pesquisador da FGV Ibre, alertou que a manutenção da competitividade nesses setores é um grande desafio. Para ele, é fundamental que o país fortaleça sua indústria nacional e cumpra sua parte ao modernizar a economia. Caso contrário, as chances de desfrutar dos benefícios do acordo podem ser severamente comprometidas.
Oportunidades e Estímulos na Indústria
Um exemplo prático pode ser visto na indústria metalúrgica do Rio, que produz um alumínio especial utilizado na indústria de óleo e gás. Henrique Osório Santos, diretor-presidente da metalúrgica, vê a concorrência europeia não apenas como uma barreira, mas como um estímulo para a evolução do setor. Ele destacou que, embora o aumento da competição traga novos desafios e exigências, também abre portas para a ampliação do mercado.
Santos defende a importância de parcerias com universidades e instituições para melhorar a capacitação e competitividade, sugerindo que esses esforços podem transformar a competição em uma oportunidade positiva ao invés de uma ameaça.

