A Controvérsia em Torno do Edital
A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, sob a liderança do governador Cláudio Castro, está enfrentando críticas severas após o lançamento do edital intitulado ‘Cultura e Fé’. A iniciativa, ao invés de promover a diversidade artística, parece focar na divulgação de expressões religiosas, gerando preocupação entre artistas e profissionais do setor cultural.
A frase de divulgação do edital é clara: ‘A fé que move o Estado do Rio de Janeiro agora também movimenta a nossa arte e cultura.’ Com um investimento de R$ 10 milhões, o projeto visa contemplar 200 propostas artísticas inspiradas em elementos religiosos, levantando questões sobre a real intenção por trás dessa abordagem.
Impacto no Campo Cultural
Essa proposta tem sido considerada por muitos como uma forma de dirigismo cultural, onde a arte é subordinada à fé religiosa, criando um cenário preocupante para a liberdade de expressão. O edital, ao destinar R$ 50 mil para cada um dos 200 projetos, coloca em risco a autonomia dos artistas e a diversidade estética que caracteriza o panorama cultural fluminense.
O foco em expressões religiosas e a exclusão de projetos que não se alinhem a essa temática levantam uma série de questões sobre como o edital erode os princípios de um ambiente cultural plural e democrático. Em um edital que realmente respeitasse a laicidade, haveria espaço para que as propostas dialogassem com espiritualidades e crenças de forma livre e sem imposições.
Crítica à Estrutura do Edital
O edital classifica expressões culturais religiosas como práticas e experiências que devem ser refletidas nas produções artísticas. Contudo, a tentativa de isolar a arte da esfera religiosa parece um esforço vã. Segundo os críticos, essa abordagem confunde conceitos e dilui as fronteiras, criando uma situação onde a arte é utilizada como ferramenta de doutrinação religiosa.
Além disso, o edital divide os recursos em quatro categorias religiosas, limitando o número de projetos em cada uma delas. Isso levanta a questão de que, em um cenário pré-eleitoral, a escolha de categorias específicas pode estar mais relacionada a interesses políticos do que ao fomento real da cultura. A distribuição desequilibrada de recursos, com 40% apenas para projetos católicos, exemplifica a falta de equidade no tratamento das diversas expressões culturais.
Uma Pergunta Necessária
É pertinente refletir sobre o que aconteceu com a gestão cultural no Rio de Janeiro. A ausência de gestores oriundos do próprio setor cultural gera um vácuo que compromete a formulação de políticas públicas que realmente atendam aos anseios dos profissionais da área. A realidade é que muitos artistas se veem forçados a competir por recursos limitados, enquanto continuam a enfrentar condições de trabalho precárias.
Com a administração atual, o estado parece dar um passo atrás, abandonando o princípio laico e enfraquecendo a arte enquanto campo autônomo. As consequências dessa abordagem podem ser devastadoras para a cultura fluminense, que já enfrenta desafios suficientes.
Convocação à Ação
A luta contra o edital ‘Cultura e Fé’ não é apenas uma questão de uma iniciativa específica, mas um chamado mais amplo à defesa da cultura e da diversidade. O apoio à impugnação desse edital é essencial para que a arte continue a ser um espaço livre e plural, longe de manipulações religiosas e políticas.
Se você compartilha dessa visão, assim como o Movuca – Movimento Urgente de Trabalhadores da Cultura, considere assinar o abaixo-assinado em apoio a essa causa. O momento é de união e resistência pela cultura do Rio de Janeiro.

