O Crescimento do Crime Organizado no Brasil
O cientista político e autor Bruno Paes Manso, especialista em violência urbana e na atuação das milícias do Rio de Janeiro, alerta para a escalada do crime organizado em todo o Brasil. As quadrilhas, cada vez mais estruturadas e influentes, têm gerado preocupações tanto na sociedade quanto nas esferas políticas, especialmente em um momento em que o governo coloca o combate a essas facções como uma “missão de Estado”. Manso enfatiza a importância de despolitizar o debate sobre o tema, de modo que as estruturas federais e estaduais possam se unir de forma coordenada, sem viés eleitoral, para enfrentar a sensação de insegurança que permeia a população.
Desafios em Ano Eleitoral
Em um ano eleitoral, Manso acredita que a segurança será um tema central nas discussões entre candidatos. Contudo, ele aponta que algumas ações devem ser implementadas de forma urgente, como a aprovação do arcabouço legal que possibilita a colaboração entre as forças policiais federais e estaduais. Esta proposta, inserida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e no Projeto de Lei Antifacção, ainda aguarda um consenso entre os partidos para ser votada no Congresso.
Entrevista Exclusiva com Bruno Paes Manso
Em conversa com o Correio, Manso discute a atuação das organizações criminosas no Brasil e as distinções entre o PCC e o Comando Vermelho, além da instrumentalização política do crime. Autor de obras como “A República das Milícias: dos esquadrões da morte à era Bolsonaro” (2020) e “A fé e o fuzil: crime e religião no Brasil do século XXI” (2023), ele também menciona seu envolvimento no livro de memórias de Marcelo Freixo, atual presidente da Embratur, que aborda suas experiências e os riscos enfrentados devido à sua luta contra as milícias.
O Papel da Política no Combate ao Crime
Manso destaca que o tema da segurança pública, capturado pela polarização política, tornou-se essencial nas disputas eleitorais. A PEC da Segurança Pública, que visa fornecer mais recursos e ferramentas para o governo coordenar as ações de combate às quadrilhas, ainda enfrenta obstáculos nas votações. Ele ressalta que a criminalidade se nacionalizou, enquanto a segurança continua fragmentada entre os estados.
Estrutura e Legislação Necessárias
A nova legislação, que poderia ser formalizada através da PEC, é vista como vital para que a União desempenhe um papel mais efetivo na coordenação do combate ao crime organizado, além de facilitar o compartilhamento de informações entre diferentes agências de segurança. Isso inclui a necessidade de recursos que sustentem essa mudança, visando um enfrentamento mais eficaz do problema.
A Violência Policial e suas Consequências
Manso critica a abordagem reativa das forças policiais, que muitas vezes resulta em operações violentas que não resolvem as raízes do problema. A crença de que a violência policial serve como um mecanismo de controle social tem levado a um cenário de guerra, ao invés de uma solução duradoura para a insegurança. Ele observa que a política se aproveita desse medo, levando muitos políticos a adotar estratégias que, em vez de solucionar o problema, o alimentam.
Desafios e Oportunidades no Combate ao Crime
O autor aponta que os crimes hoje têm uma dimensão internacional, com facções como o PCC expandindo suas operações além das fronteiras brasileiras. Com isso, surge a necessidade urgente de uma nova abordagem que considere a complexidade do crime organizado e promova uma mudança institucional que não dependa apenas do governo atual.
A Importância do Novo Livro de Marcelo Freixo
Em relação ao livro de Freixo, que deve ser lançado em breve, Manso destaca que ele traz à tona questões cruciais sobre a luta contra as milícias e as ameaças que o político enfrentou. As memórias de Freixo, que também fazem menção a Marielle Franco, assassinada por sua atuação política, revelam a urgência de discutir a segurança pública no Brasil sob uma nova perspectiva.
Perspectivas para o Futuro da Segurança Pública
Por fim, Manso reafirma que, para enfrentar o crime organizado de maneira eficaz, é necessário que as políticas de segurança pública sejam repensadas e adaptadas à nova realidade do crime no Brasil. A colaboração entre diferentes níveis de governo e a despolitização do debate são passos fundamentais para que o país possa avançar no combate à criminalidade.

