Justiça e Esperança no Julgamento de Marielle Franco
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) dá início, nesta terça-feira (24/2), ao julgamento de cinco réus acusados de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorridos em 14 de março de 2018. Após quase oito anos de espera, a família das vítimas considera esse momento um “marco para a democracia brasileira”, uma chance de desmantelar uma rede criminosa que interliga política, polícia e milícias no Rio de Janeiro.
Marinete da Silva, mãe de Marielle, expressou sua angústia e esperança, ressaltando a importância de “ressignificar o que é ser mãe” após longos anos sem respostas adequadas. Antônio Francisco da Silva, pai da vereadora, também comentou sobre as desigualdades do processo, argumentando que enquanto os acusados estão bem defendidos, as vítimas não tiveram a mesma oportunidade durante as circunstâncias de sua morte.
“Confio plenamente na competência da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, composta por juízes de notável conhecimento jurídico, que certamente não se deixarão influenciar pelas argumentações de defesa”, afirmou Francisco.
A Resposta Necessária à Impunidade
Anielle Franco, irmã de Marielle e atual ministra da Igualdade Racial, declarou que o julgamento deve ser visto como uma resposta à democracia do Brasil, não somente como uma satisfação para as famílias envolvidas. Para Anielle, a situação é um exemplo claro de que a “tríade” que une política, milícias e agentes públicos não pode resultar em impunidade.
Por sua vez, Luyara Franco, filha da política assassinada e diretora do Instituto Marielle Franco, reforçou a importância do julgamento, considerando-o um “marco de um novo Brasil”. Ela destacou que a pleno reconhecimento da Justiça para sua mãe e Anderson passa pela responsabilização dos culpados e pela reparação das famílias afetadas.
A Necessidade de Ação Concreta
Ágatha Arnaus Reis, viúva de Anderson Gomes, trouxe à tona uma realidade dolorosa ao lembrar que seu filho já passou mais tempo da vida sem o pai do que com ele. Ela enfatizou que oito anos é um tempo excessivo para que a sociedade tenha uma resposta significativa. Para Ágatha, a Justiça deve ser uma prática real e não um conceito abstrato, afirmando que “Justiça não é um sentimento, é um processo”.
Ela insistiu que o Brasil deve se comprometer a alcançar aqueles que ordenam ou financiam execuções, garantindo que as famílias envolvidas merecem essas respostas. “A nossa família, as nossas famílias merecem essas respostas”, enfatizou Ágatha.
O sentimento de urgência se reflete não apenas nas palavras de familiares, mas também nas expectativas da sociedade civil, que acompanha atentamente o desenrolar do processo. A importância do julgamento vai além dos indivíduos diretamente afetados; é um reflexo de uma luta maior contra a impunidade e pela restauração da confiança nas instituições.

