O êxodo populacional do Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro enfrentou uma perda significativa de habitantes entre 2017 e 2022, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o estado registrou a maior redução absoluta de população do país, com 165.360 moradores migrando para outras unidades federativas. Essa movimentação está diretamente ligada à crise econômica, aos desafios na segurança pública e ao alto custo de vida, fatores que pesam no cotidiano dos cariocas.
O demógrafo Marcio Misuo, do IBGE, destaca que a busca por melhores oportunidades de emprego tem sido o principal motivo para essa saída em massa. A maior parte dos migrantes escolhe São Paulo como destino, atraída pelo mercado de trabalho mais dinâmico e pela proximidade geográfica. São Paulo, por exemplo, recebeu cerca de 71 mil pessoas vindas do Rio nesse intervalo.
Histórias que ilustram a migração
Entre os que deixaram o Rio, estão jovens como Igor Pereira, de 25 anos, que concluiu sua graduação em Economia na UFRJ e se mudou para São Paulo em busca de oportunidades profissionais. “Durante a faculdade, eu morava no Rio durante a semana e voltava para Petrópolis nos fins de semana. Depois de me formar, me adaptei rapidamente à vida em São Paulo, tanto pessoal quanto profissionalmente”, conta Igor.
Na mesma direção, Cássio Luan Rodrigues, de 27 anos, também optou por São Paulo. Carioca do Recreio, ele interrompeu seu curso em Empreendedorismo e Gestão para tentar a sorte no mercado de marketing paulista. “Sinto falta da família, mas o mercado em São Paulo é muito mais dinâmico, e isso fez toda a diferença para mim”, afirma.
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Por outro lado, o Rio continua atraindo moradores de outras regiões. Amanda Gonçalves, paulistana de 28 anos, mudou-se para a capital fluminense ao conquistar uma vaga em Direito na UFRJ. “Nunca tinha vindo ao Rio antes, mas acabei me apaixonando pela cidade. Montei minha rede de apoio e meus amigos se tornaram minha família”, relata. Ela divide apartamento com a mãe no Bairro de Fátima e já trabalha em escritório de advocacia.
Bárbara Scorsin, vinda de Curitiba (PR), escolheu o Rio há dez anos para estudar publicidade e marketing. Apesar dos desafios relacionados à segurança, ela afirma que pretende ficar na cidade. “Tenho a cultura carioca no coração e meus planos são ficar no Rio para o resto da vida”, destaca Bárbara, que incentivou a vinda da família para a capital fluminense.
Já Gabriel Xavier, natural de Parintins (AM), chegou ao Rio em 2024 para cursar Direito na UFRJ. Ele comenta as diferenças climáticas e compara os índices de violência das duas cidades. “Lá em Manaus há mais assaltos, mas aqui o risco de bala perdida é maior”, observa Gabriel, que mora em Del Castilho.
Redução da população estrangeira e seus impactos
Enquanto o Brasil registrou um aumento no contingente de estrangeiros, o Rio de Janeiro viu uma queda nesse grupo. Entre 2011 e 2022, o número caiu de 96.821 para 80.292 pessoas, contrariando a tendência nacional. A presença de portugueses, argentinos e italianos ainda é expressiva, mas a comunidade envelhecida e a mortalidade natural contribuem para a redução.
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Além disso, as novas ondas migratórias latino-americanas, como a de venezuelanos, não têm o Rio como destino preferencial. Isso reforça o desafio do estado em se manter atrativo para diferentes perfis populacionais.
Desafios para o futuro do Rio de Janeiro
O professor Vitor de Pieri, do Departamento de Geografia Humana da UERJ, contextualiza a queda populacional no Rio dentro de uma transformação econômica mais ampla. A perda de dinamismo, a crise fiscal estadual, a retração da construção civil e os efeitos da Operação Lava Jato impactaram fortemente o mercado de trabalho local.
Enquanto isso, outras regiões, especialmente São Paulo, ampliaram sua capacidade de atração, oferecendo um mercado de trabalho mais amplo e diversificado. Para Pieri, o maior desafio do Rio é reconstruir sua capacidade de reter jovens e trabalhadores qualificados, criando empregos, renda e perspectivas de futuro.
Sem essa recuperação, a tendência de perda populacional pode se intensificar, afetando não apenas os números, mas a economia real do estado, a renda das famílias, o consumo e a geração de empregos.

