Raízes da mobilização estudantil em Niterói
Hugo Silva, que presidiu a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), começou sua atuação no movimento estudantil em 2019, durante o “Tsunami da Educação” — uma série de protestos que uniu milhares de estudantes, professores e trabalhadores contra os cortes no orçamento das universidades e institutos federais feitos pelo governo Jair Bolsonaro. Natural de Uruaí, em Campos dos Goytacazes (RJ), Hugo, hoje com 23 anos, foi eleito para representar cerca de 40 milhões de estudantes secundaristas como presidente da Ubes.
Depois de deixar a presidência da entidade, ele ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). Foi ali que se formou a mobilização que ganhou força após o primeiro turno das eleições presidenciais, quando Flávio Bolsonaro (PL) aparecia à frente do presidente Lula (PT).
Protestos espontâneos e protagonismo dos estudantes da UFF
A movimentação começou logo após o primeiro turno, em 4 de novembro. Hugo destaca que o sentimento entre os estudantes era de alerta e indignação diante do risco à democracia. “O Bolsonaro pai sempre desacreditou a UFF, chamando-a de ‘um verdadeiro ninho de rato’ e ‘universidade da balbúrdia’”, relembra. Em resposta, os estudantes do curso de Direito organizaram uma assembleia no dia seguinte, 5 de novembro, convocada pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (Caev).
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Fonte: diretodecaxias.com.br
Embora a União Nacional dos Estudantes (UNE) tenha apoiado a iniciativa, a assembleia não foi suficiente para conter o movimento, que rapidamente ocupou as ruas de Niterói. Sem recursos como carro de som ou megafone, os estudantes seguiram determinados, inspirando manifestações semelhantes em outras regiões do país.
Defesa da democracia e proteção das universidades públicas
O principal impulso das manifestações foi a defesa da democracia e da soberania nacional, junto à luta pela permanência dos estudantes nas universidades públicas. Hugo ressalta que o projeto político de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro visava privatizar o ensino superior, limitando o acesso a poucos. “Acreditamos que a universidade deve ser acessível a todos”, afirma.
As mobilizações enviaram um recado direto ao presidente Lula, que assumiu o governo com a responsabilidade de atender às demandas sociais que emergiram das ruas. Hugo sublinha a importância de o novo governo manter aberto o diálogo com o movimento estudantil e social ao longo dos próximos quatro anos, valorizando as pautas da juventude e da educação pública.
Influência social e política das manifestações em Niterói
Filiado ao PCdoB, partido com raízes em Niterói desde 1922, Hugo Silva esteve no centro das transformações sociais recentes. Com a experiência do movimento estudantil e universitário, ele reconhece que a participação ativa dos estudantes em Niterói foi decisiva para a virada eleitoral, um resultado que repercutiu internacionalmente.
O protagonismo dos estudantes da UFF mostra como a juventude pode influenciar diretamente o cenário político, principalmente ao defender a democracia e o acesso amplo à educação pública. Essa mobilização reforça a importância do engajamento social para garantir direitos, ampliar o debate sobre políticas educacionais e moldar o futuro das universidades e da democracia brasileira.

