Reação à Homenagem no Carnaval
O recente rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, que apresentou um desfile em homenagem ao presidente Lula, gerou um forte debate. Embora figuras ligadas ao governo, como o senador Randolfe Rodrigues e o ex-deputado Marcelo Freixo, tenham comentado sobre o carnaval, o silêncio sobre a escola rebaixada chamou a atenção. O líder do governo no Congresso parabenizou as escolas que se destacaram e ressaltou a importância da cultura amazônica nas apresentações.
Em contraste, o presidente da Embratur destacou a vitória da Viradouro, alegando que o carnaval é sinônimo de cultura e desenvolvimento. No entanto, a performance da Acadêmicos de Niterói provocou reações adversas, especialmente entre os bolsonaristas, que acusam Lula de promover ilegalidades em sua corrida pela reeleição. O senador Flávio Bolsonaro não hesitou em afirmar que “Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo”.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro também criticou a escola, sugerindo que houve uma má utilização da máquina pública, resultando em uma “derrota humilhante”. Por outro lado, o deputado Nikolas Ferreira afirmou que o rebaixamento da escola reflete como Lula estaria “afundando o Brasil”, considerando que a homenagem foi apropriadamente representativa.
Defesa de Lula e Análise de Especialistas
Marco Aurélio de Carvalho, amigo de Lula e coordenador do Grupo Prerrogativas, defendeu o ex-presidente, argumentando que ele não é responsável pelo rebaixamento da escola. Segundo ele, a Acadêmicos de Niterói obteve notas altas em algumas categorias, sem qualquer indício de irregularidade. “A estrutura é muito poderosa e compete com escolas tradicionais. É injusto atribuir a culpa ao presidente”, destacou.
Por outro lado, especialistas em direito eleitoral divergem sobre possíveis infrações durante o desfile. Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, de forma unânime, pedidos para cancelar o desfile, considerando que a proibição seria uma forma de censura. No entanto, o tribunal deixou claro que eventuais infrações poderiam resultar em punições.
Impacto nas Relações com os Evangélicos
A atual situação também gerou um desgaste nas relações de Lula com o eleitorado evangélico. Lideranças dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliam que o presidente precisará fazer gestos significativos para recuperar a confiança desse segmento, especialmente após as críticas geradas pela ala “Neoconservadores em conserva” do desfile, que representava famílias em latas com referências religiosas.
Os petistas acreditam que é prudente aguardar uma diminuição das críticas antes de agir. Um aliado próximo mencionou que as reações são um reflexo imediato do desfile e que, com o tempo, a situação deve se acalmar. No entanto, esse mesmo aliado reconheceu que o desgaste com o eleitorado evangélico é profundo e persistente, dada a histórica resistência do segmento ao PT e a Lula.
Além disso, os petistas planejam realizar pesquisas nas próximas semanas para entender melhor as consequências do episódio. Com base nos resultados, a equipe de Lula poderá definir ações direcionadas ao público evangélico. Durante a campanha presidencial de 2022, Lula chegou a enviar uma “Carta ao Povo Evangélico”, reafirmando seu compromisso com a liberdade religiosa no Brasil.
Repercussões Institucionais
A ala também provocou reações de instituições religiosas. A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro expressou preocupação com o uso de símbolos cristãos e da instituição familiar em manifestações culturais, considerando-as ofensivas. A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) também se manifestou, emitindo uma nota de repúdio, alegando que a escola teria praticado intolerância religiosa.
Assim, o desenrolar dessa situação pode ter consequências significativas para a imagem de Lula e sua relação com segmentos importantes da sociedade, como os evangélicos, que historicamente têm se mostrado reticentes em relação ao petismo. A pressão agora recai sobre o presidente, que deve encontrar formas eficazes de restabelecer o diálogo e a confiança com essas comunidades.

