Estratégias para Combater a Obesidade no Brasil
O Ministério da Saúde brasileiro está implementando uma série de estratégias para enfrentar o crescente problema da obesidade. O ministro Alexandre Padilha revelou que o plano envolve três eixos principais: a prevenção por meio da campanha ‘Viva Mais Brasil’, a produção nacional e o domínio tecnológico de medicamentos que podem auxiliar no tratamento da obesidade, e a possível inclusão da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS).
A semaglutida, princípio ativo presente em canetas utilizadas para emagrecimento, pode ter um papel significativo no tratamento de pacientes com obesidade avançada e outras comorbidades. Padilha mencionou que o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, está desenvolvendo um protocolo para garantir o acesso a esses medicamentos para os pacientes que mais necessitam, como aqueles que estão na fila para cirurgia bariátrica.
— Estamos começando a avaliar um protocolo específico para a semaglutida no Rio Grande do Sul — declarou ele, acrescentando que pessoas com orientação clínica já em curso para a bariátrica e aquelas com doenças graves relacionadas à obesidade também podem ser elegíveis para tratamento.
Produção Nacional e Tecnologia
Uma das principais preocupações do Ministério da Saúde é a necessidade de estimular a produção nacional de medicamentos utilizados no controle do peso. Para isso, a Anvisa lançou um edital que prioriza o registro de peptídeos sintéticos, como a liraglutida e a semaglutida, que são fundamentais para o controle do peso e diabetes.
A intenção é que o Brasil se torne autossuficiente na produção desses medicamentos, que têm um custo elevado e são inacessíveis para a maioria da população. Segundo informações do ministério, a obesidade já afeta mais de 25% da população adulta brasileira, um aumento alarmante comparado a 2006, quando a taxa era de 11,8%.
— Os medicamentos podem ter um papel no enfrentamento da obesidade. Mas os preços são abusivos. É um desafio em todo o mundo. Queremos que laboratórios públicos e empresas nacionais dominem essa tecnologia para que possamos produzir medicamentos acessíveis, não apenas para a obesidade, mas também para outras doenças, como o câncer — enfatizou Padilha.
Atualmente, 14 empresas têm pedidos em análise na Anvisa, e três delas já firmaram parcerias com empresas indianas para a produção de peptídeos sintéticos. Padilha acredita que esse movimento irá derrubar os preços e tornar esses medicamentos mais acessíveis à população.
Combate à Obesidade como Questão de Saúde Pública
É crucial, segundo o ministro, encarar a obesidade não apenas como um desafio estético, mas como um grave problema de saúde pública. Ele ressaltou que a resposta ao problema da obesidade deve ser integrada, abrangendo não apenas o acesso a medicamentos, mas também a prevenção e a promoção de hábitos saudáveis.
— Necessitamos de uma resposta integrada a um problema complexo que está associado a doenças cardiovasculares e câncer. Isso envolve políticas que incentivem a alimentação saudável e a prática de atividades físicas. A estratégia ‘Viva Mais Brasil’, lançada em janeiro, destina R$ 340 milhões a essas iniciativas — declarou Padilha.
O ministro destacou a importância de medidas como a taxação de bebidas açucaradas e a redução de impostos sobre alimentos saudáveis. Cidades que implementaram essas medidas observaram uma diminuição no número de jovens e crianças obesos.
Além disso, o Ministério da Saúde já está preparando repasses financeiros para que municípios possam investir em academias da saúde, com foco na atenção primária e promoção de saúde.

