Uma trajetória de cinco décadas em imagens
Renato Moreth é uma presença constante na cena cultural de Niterói. Em 50 anos de carreira, suas fotografias já passaram por diversas galerias, museus e centros culturais da cidade, consolidando sua trajetória como um dos fotógrafos mais respeitados da região. Recentemente, ele decidiu reunir esse vasto acervo em um produto inédito: um livro de arte que celebra sua trajetória e os momentos mais marcantes de sua carreira.
“1 Segundo” é o título dessa obra que compila 250 imagens capturadas em 52 países, parte dos quase 100 que Renato já visitou ao longo da vida. O livro foi lançado no Reserva Art, galeria localizada no Reserva Cultural, espaço que guarda um significado especial para o fotógrafo, pois fica no local da antiga casa de seus avós e de sua primeira loja.
Entre afetos e memórias musicais
Para tornar a leitura mais envolvente, Renato escolheu legendar as fotos com títulos inspirados em trechos de músicas nacionais e internacionais. Essa escolha reforça o caráter afetivo do livro, que reúne imagens que marcaram sua trajetória pessoal e artística, deixando de lado as fotos comerciais ou de moda. “É um coffee table book, um livro para se ter na mesa de centro, para folhear e se inspirar”, explica.
O fotógrafo relembra que a seleção é mais focada nos últimos 25 a 30 anos de trabalho, com fotos que participaram de exposições e foram capas de convites. Entre as várias nacionalidades presentes no livro, estão imagens do Brasil, Estados Unidos, Japão, Coréia, China, Marrocos, Nepal, Butão, Zanzibar e Namíbia, mostrando a diversidade de sua experiência pelo mundo.
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Fonte: decaruaru.com.br
Raízes firmes em Niterói
Apesar de tantas viagens, Renato mantém uma ligação forte com Niterói. “Sempre volto para cá. Só me mudaria para o Campo de São Bento”, afirma. A cidade, onde iniciou sua carreira aos 17 anos, é também onde está sua família desde a década de 40. Para ele, Niterói é uma cidade amigável, segura e muito boa para se viver, especialmente se comparada a outras cidades brasileiras.
Renato destaca que, embora a cidade tenha perdido alguns aspectos ao longo do tempo, ainda preserva uma qualidade de vida interessante. Ele valoriza a oferta cultural local, que considera forte e comparável, proporcionalmente, à do Rio de Janeiro. Espaços como o Reserva Cultural, o Solar, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o Museu Janete Costa são alguns exemplos da vitalidade cultural da cidade.
Transformações urbanas sob o olhar do fotógrafo
Na conversa, Renato também comenta as mudanças na paisagem urbana de Niterói. Ele observa o crescimento do número de prédios e o aumento da urbanização, aspectos que trazem avanços e desafios. Formado em engenharia e arquitetura, Renato entende os dois lados dessa transformação: o desenvolvimento urbano pode significar progresso, mas também pode ameaçar a preservação da história local.
O fotógrafo enfatiza a importância de um transporte público eficiente para lidar com o crescimento urbano. Para ele, a implantação da linha 3 do metrô no Rio, que ligaria Niterói a Copacabana, seria essencial para melhorar a mobilidade e reduzir a dependência do carro, o que ajudaria a diminuir os engarrafamentos.
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Novos projetos e exposições
Além do livro, Renato segue ativo em exposições. Atualmente, sua mostra “Sobre as Areias do Mundo” está no Hotel Orizzonte, apresentando imagens de praias e paisagens arenosas. Outra exposição, que já passou pelo Museu de Arte Contemporânea, está em cartaz na loja de móveis Sierra.
Em outubro, haverá um novo lançamento do livro “1 Segundo” no Reserva Cultural, para quem não pôde comparecer à primeira edição. Também participa de uma mostra coletiva no Centro Cultural La Salle e prepara uma exposição para novembro no Centro Carioca de fotografia, na Lapa, que deve apresentar imagens do livro.
Com um olhar que combina sensibilidade artística e conhecimento técnico, Renato Moreth segue retratando o mundo e Niterói, conectando sua obra a uma experiência de vida que atravessa continentes, memórias e a cultura local.

