Uma Nova Voz nas Favelas do Rio
No próximo sábado, dia 11, às 13h, o projeto “aMARÉlo – Jornalismo Cultural em Favelas” irá apresentar sua primeira edição da revista que leva o mesmo nome. Esta publicação é um marco importante, reunindo reportagens, ensaios e registros dedicados às práticas culturais das favelas do Rio de Janeiro. O foco da iniciativa é reconhecer e ampliar a presença dessas produções no debate sobre a identidade cultural da cidade.
A proposta do aMARÉlo é destacar o papel das favelas na formação do imaginário coletivo, reunindo narrativas elaboradas por comunicadores que atuam em seus territórios. Essa produção é guiada por uma metodologia colaborativa e territorializada, que visa fortalecer a comunicação popular e apoiar a continuidade das atividades de coletivos e veículos independentes.
O projeto, realizado pelo Observatório de Favelas, conta com a participação de representantes de favelas das zonas sul, norte, centro e oeste do Rio de Janeiro, incluindo o Conjunto de Favelas da Maré. Os participantes foram responsáveis por mapeamentos de práticas culturais e pela produção de conteúdos que agora integram a revista aMARÉlo, disponível nas versões impressa e digital.
Entre os comunicadores selecionados, estão profissionais associados a veículos de comunicação comunitária, como Mangueira Comunica, da região central; Maré Vive, da zona norte; PPG Informativo, da zona sul; Voz de Guadalupe, também do norte da cidade; e Zona Oeste Ativa, da zona oeste.
Grasiela Cordeiro, coordenadora pedagógica do projeto, ressalta que esses comunicadores vivem a realidade das favelas e criam relações de confiança com os moradores por meio da produção de conteúdos e eventos, promovendo direitos e ações de visibilidade local. “Essas narrativas rejeitam estereótipos e ampliam o entendimento sobre esses locais, mostrando que as favelas não apenas fazem parte da cidade, mas são essenciais para a sua compreensão”, afirma.
Durante o desenvolvimento da revista, temas como cultura em favelas, desinformação, fotografia, reportagem e design foram discutidos, buscando conectar teoria e prática. A iniciativa também promoveu reflexões acerca da distribuição de recursos e da visibilidade no campo da comunicação, especialmente entre aqueles que trabalham para garantir acesso à informação e valorização local.
Rafael Souza, participante do Zona Oeste Ativa, compartilha sua experiência: “Acredito que a construção da revista representa um reconhecimento na minha trajetória, me permitindo ser projetado em outros espaços e dando-me a oportunidade de publicar um material físico. Isso também fortalece minha posição no meu território como comunicador, legitimando-me perante minhas fontes, interlocutores e colegas”.
O lançamento da revista aMARÉlo promete ser um evento vibrante, reunindo o público, os participantes da formação e convidados, com apresentações de DJ Akasama e uma roda de samba com o Batuque da Yves. Ao longo do ano, a revista vai promover ações de difusão e distribuição em espaços de educação, cultura e saúde nos territórios representados.

