Desafios da Música Sinfônica no Rio
O Rio de Janeiro abriga diversas orquestras, entre elas, destaca-se a Orquestra Sinfônica da UFRJ, a mais antiga, que foi fundada em 1924. Em seguida, temos a Orquestra do Theatro Municipal, que iniciou suas atividades em 1931, além da Sinfônica Brasileira, estabelecida em 1940, e a Orquestra Petrobras Sinfônica, de 1987. Com um vibrante ecossistema musical, a cidade também conta com grupos jovens ligados a projetos sociais e universidades, contribuindo para um rico panorama orquestral. Em 2025, as orquestras cariocas apresentaram mais de 300 concertos, mas enfrentam um entrave significativo: a ausência de uma sala adequada para a música sinfônica.
Atualmente, apenas a Orquestra do Theatro Municipal dispõe de um espaço apropriado, já que realiza suas apresentações no fosso da casa durante a maior parte da temporada. As demais orquestras dependem de locais emprestados e precisam adaptar suas programações às datas disponíveis, o que limita a oferta de concertos. A principal vocação do Theatro Municipal é a ópera e o balé, o que acaba restringindo o repertório das orquestras que precisam usar suas instalações. Com uma sala de concertos própria, essas orquestras poderiam liberar o Municipal para que ele ampliasse sua oferta de récitas.
Equipamentos Limitados e Oportunidades Perdidas
Alguns podem perguntar sobre a Sala Cecília Meireles e a Cidade das Artes. Embora a Sala Cecília Meireles seja uma excelente opção para música de câmara, suas limitações tornam-na inadequada para orquestras maiores. O palco e as coxias não suportam conjuntos extensos, restringindo assim as opções de repertório. A Cidade das Artes, por outro lado, foi idealizada como um espaço musical, mas acabou não dialogando adequadamente com as necessidades do setor. Sua estrutura, com fosso e caixa cênica, não favorece a acústica necessária para concertos sinfônicos.
O Salão Leopoldo Miguéz, da Escola de Música da UFRJ, é um espaço notável em termos de acústica, mas também apresenta desafios, como um palco pequeno e ausência de comodidades, como climatização, que complicam ainda mais a experiência para artistas e público.
A Importância de um Projeto Acústico Adequado
Uma sala de concertos não é apenas uma construção qualquer; ela deve ser projetada com a acústica como prioridade. O design interno deve ser elaborado para proporcionar uma escuta de qualidade tanto para os músicos quanto para o público. Em espaços dedicados à música sinfônica, o palco deve ter capacidade para mais de cem instrumentistas e incluir locais para coro em grandes obras vocais. Além disso, uma sala adequada deve contar com camarins, salas para ensaios e locais para o armazenamento de instrumentos.
No entanto, no Rio de Janeiro, essa estrutura ainda não existe. O contraste é notável quando observamos as condições em São Paulo e Belo Horizonte. A Sala São Paulo, inaugurada em 1999, foi um ponto de virada para a música de concerto no país. Recentemente, o Teatro Bacarelli, construído na favela de Heliópolis, também contribuiu para o cenário cultural da capital paulista, com apoio da iniciativa privada. Em Belo Horizonte, a Sala Minas Gerais, aberta em 2015, também exemplifica o sucesso de espaços dedicados à música.
Um Futuro Promissor para a Música Orquestral
É imperativo que o Rio de Janeiro encontre soluções para a falta de uma sala de concertos sinfônicos. Com a construção da futura Sala Rio de Janeiro, a cidade poderá oferecer um ambiente acústico adequado para as apresentações orquestrais, seguindo os modelos bem-sucedidos da Sala São Paulo e da Sala Minas Gerais. Para que isso se concretize, é essencial que haja um diálogo entre poder público, iniciativa privada e as próprias orquestras, criando uma gestão que facilite o uso do espaço para todos os grupos da cidade, enriquecendo ainda mais a cena cultural local.
Com essa iniciativa, não serão apenas os artistas e gestores a se beneficiarem, mas, principalmente, a população carioca, que terá acesso a uma programação musical mais ampla e diversificada, impactando positivamente toda a cadeia cultural, turística e de eventos na cidade.

