Decisões Cruciais em Jogo
O Supremo Tribunal Federal (STF) volta a discutir, nesta quinta-feira (9), as ações que envolvem a escolha do novo governador do Rio de Janeiro. Com a renúncia e a cassação do mandato de Cláudio Castro (PL), a Corte precisa decidir se a votação será direta, com o voto da população, ou indireta, por meio da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
O primeiro voto deve ser dado pelo ministro Flávio Dino, seguido por Nunes Marques, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o presidente do STF, Edson Fachin. A análise do caso começou na quarta-feira (8), quando os ministros ouviram os relatos das partes envolvidas.
Um dos aspectos centrais do julgamento é o modelo de eleição: os ministros precisam decidir se a escolha do novo governador ocorrerá por votação direta, onde a população é convocada a participar, ou se o processo será indireto, com os deputados estaduais da Alerj realizando a votação.
As discussões chegaram ao STF através de ações protocoladas pelo PSD, que busca garantir que a escolha seja feita diretamente pelos eleitores, considerando a situação do estado e a necessidade de manter a representatividade.
Início do Julgamento e Votos dos Ministros
No início do julgamento, o ministro Cristiano Zanin defendeu que o pleito deve ser feito de maneira direta, permitindo a participação popular. Por sua vez, o ministro Luiz Fux apresentou uma visão contrária, sugerindo que a escolha se desse pela via indireta, em decorrência da eleição de um novo presidente da Alerj, que assumiria interinamente até a realização de nova eleição em janeiro de 2027.
Zanin também argumentou que a legislação do Rio de Janeiro sobre eleições indiretas não se aplica ao caso de Cláudio Castro, e que, em situações não eleitorais, a votação na Assembleia deveria ser aberta. Em contraposição, Fux defendeu a validade do voto secreto, conforme previsto na legislação estadual.
Ambos os ministros concordaram sobre a necessidade de um prazo de desincompatibilização de 24 horas para que candidatos deixem seus cargos.
Modelo de Eleição em Debate
O cerne da discussão no STF gira em torno do modelo de eleição a ser adotado. Os ministros precisam decidir se a escolha será feita de forma direta, com a convocação da população, ou de forma indireta, onde a votação fica a cargo dos deputados estaduais. Além disso, outra ação questiona a validade de trechos da lei estadual que regula as eleições indiretas, incluindo aspectos como o prazo de desincompatibilização e a forma de votação.
A discussão jurídica sobre o formato das eleições envolve a aplicação de normas específicas, sendo necessário definir qual legislação deve prevalecer: o Código Eleitoral ou a lei estadual do Rio de Janeiro. O Código Eleitoral determina que a eleição deve ser direta quando o cargo fica vago a mais de seis meses do fim do mandato, em casos como a cassação, enquanto a lei estadual prevê a eleição indireta para certas situações.
Impacto da Renúncia de Cláudio Castro
A renúncia de Cláudio Castro em 23 de março se deu um dia antes do Tribunal Superior Eleitoral retomar o julgamento que resultou em sua cassação e inelegibilidade por oito anos, devido a abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Assim, o PSD argumenta que a vacância do cargo ocorreu por razões eleitorais, e que, portanto, a regra de eleição direta do Código Eleitoral deve ser aplicada.
Para o partido, a renúncia foi uma manobra para evitar punições legais, o que, segundo eles, configura uma fraude à legislação eleitoral e à soberania popular. Essa situação levanta preocupações sobre a legitimidade do processo eleitoral, especialmente com a falta de um vice-governador, desde a saída de Thiago Pampolha em maio de 2025.
Contexto Atual do Governo do Rio
A administração do estado do Rio de Janeiro está, atualmente, sob a responsabilidade do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, após a saída de Cláudio Castro. A crise política em curso e a ausência de um vice-governador acentuam a necessidade de uma definição rápida e clara sobre o futuro do governo estadual, o que torna o julgamento do STF ainda mais relevante.

