Uma Cientista em Busca de Resultados
Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, professora de histologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem se destacado nas pesquisas voltadas à recuperação de movimentos em pacientes paraplégicos. Através de suas investigações sobre a polilaminina, Sampaio ganhou notoriedade, especialmente após a divulgação dos primeiros resultados positivos em 2025. A substância tem mostrado potencial em reverter lesões medulares, contudo, a cientista vive uma realidade distante do glamour das redes sociais, sendo conhecida por sua ausência nelas.
Com 59 anos, a pesquisadora enfrenta a cada dia um incessante fluxo de telefonemas de famílias em busca de esperança para a cura da paralisia. Mãe dedicada de dois filhos e uma “filha agregada”, que é uma ex-aluna acolhida, Sampaio demonstra uma sensibilidade notável ao lidar com a dor alheia. Mesmo sem perfis em plataformas como Facebook ou Instagram, sua imagem tem sido amplamente discutida, principalmente em contextos que contrastam sua importância científica com a superficialidade de figuras midiáticas.
A Paixão pela Ciência e os Desafios da Pesquisa
Desde jovem, Sampaio se sentiu atraída pela ciência, optando por Biologia na UFRJ como um caminho direto para se tornar cientista. Diferentemente de seus filhos, que seguiram carreiras em Economia e Relações Internacionais, sua filha adotiva — que foi estagiária sob sua orientação — está atualmente explorando os efeitos da polilaminina em pacientes com câncer de mama.
A pesquisa que Sampaio lidera não se faz sem desafios. O financiamento por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e a estrutura da UFRJ foram fundamentais. No entanto, a colaboração com o Laboratório Cristalia, a única empresa autorizada a produzir a polilaminina, foi inicialmente envolta em desconfiança. “Sempre fui uma cabeça de esquerda, e a ideia de cooperar com uma empresa privada me parecia arriscada”, revelou a pesquisadora em uma entrevista ao canal TV 247 no YouTube.
Perda de Patentes e os Impactos na Pesquisa
Um aspecto curioso e preocupante da trajetória de Sampaio é a questão das patentes relacionadas à polilaminina. O único registro da substância, feito no Brasil, foi perdido devido a cortes de orçamento que afetaram a universidade na época. Em sua entrevista, Tatiana detalhou que, por falta de recursos para manter os registros em escritórios internacionais, as patentes na Europa, EUA e em âmbito mundial foram abandonadas. Essa situação gerou uma série de discussões sobre o impacto que a falta de investimento em ciência teve no desenvolvimento de pesquisas no país.
Embora a entrevistadora, Hildegard Angel, tenha apontado os cortes no governo de Michel Temer como responsáveis pela perda das patentes, registros oficiais indicam que os problemas começaram sob a gestão de Dilma Rousseff. A discrepância nas informações levantou questionamentos, levando a equipe de reportagem a buscar esclarecimentos junto à UFRJ e à Faperj, sem sucesso até o momento.
A Esperança na Polilaminina e os Desafios do Futuro
Em relação ao tratamento de paraplégicos com a polilaminina, Sampaio é cautelosa. Ela ressalta que até agora, o único caso de recuperação total ocorreu em um paciente tratado em menos de 24 horas após a lesão. O laboratório que fabrica a proteína também enfatiza que a eficácia do tratamento diminui quanto mais tempo se passa desde a lesão. A pesquisadora enfrenta diariamente a pressão emocional de ser vista como uma “salvadora” por familiares que buscam a cura, um peso que a afeta profundamente.
“É muito pesado ser vista como um instrumento de Deus. Isso causa crises de choro, pois não posso assumir essa responsabilidade”, afirmou. Para o futuro, Sampaio nutre o desejo de que outros pesquisadores se debrucem sobre os estudos da polilaminina, enquanto expressa o anseio de se aposentar e finalmente conseguir um tempo para si mesma. “Gostaria muito de parar, mas a ciência não me deixa desligar”, concluiu a pesquisadora, que continua firme em sua missão científica.

