A Ascensão de Eduardo Paes em Meio à Indefinição Política Bolsonarista
A ausência de uma liderança forte por parte de Flávio Bolsonaro está abrindo espaço para o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que parece estar se aproveitando da situação. Com a indefinição da família Bolsonaro quanto a um candidato para o governo do Estado, Paes surge como o protagonista da política fluminense, corajosamente navegando pelas incertezas do cenário eleitoral.
O cenário atual reflete uma mudança significativa no tabuleiro político do Rio, onde Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e presidente estadual do MDB, decidiu romper com Bolsonaro e apoiar Paes. Essa mudança não é apenas simbólica; Reis representa a segunda maior economia do estado e um colégio eleitoral considerável, o que pode ser um golpe duro para as aspirações de Flávio.
Uma pesquisa da AtlasIntel evidencia a eficácia da estratégia de Paes: ele lidera com 43,9% das intenções de voto, enquanto Rodrigo Bacellar, seu concorrente mais próximo, alcança apenas 12,4%. Essa diferença de mais de 30 pontos percentuais demonstra claramente como a ausência de uma figura forte no bolsonarismo tem sido benéfica para o atual prefeito.
A ruptura de Washington Reis com a família Bolsonaro marca um novo capítulo na política fluminense. Ao indicar sua irmã, Jane Reis, para compor sua chapa como vice-governadora, a estratégia de Paes se fortalece, especialmente na Baixada Fluminense, uma região tradicionalmente alinhada ao discurso bolsonarista, e que agora pode se tornar um bastião de apoio a Paes.
Outro aspecto vital da estratégia de Paes é sua aproximação com lideranças evangélicas. Em junho de 2024, ele participou das celebrações do centenário da Assembleia de Deus no Rio, reforçando sua presença entre os eleitores evangélicos. Essa movimentação demonstra uma tentativa deliberada de angariar apoio em um segmento que historicamente poderia se alinhar à família Bolsonaro.
O que se observa neste cenário é a aplicação do princípio de que “não existe espaço vazio na política”. Quando uma liderança não é capaz de articular uma estratégia clara, como é o caso de Flávio Bolsonaro, outros personagens políticos rapidamente se organizam para ocupar essa lacuna.
As consequências para o bolsonarismo no Rio de Janeiro são preocupantes. A indefinição de Flávio não apenas fornece uma oportunidade para adversários, mas também fragmenta a base de apoio que ele supostamente deveria manter. Prefeitos que se alinharam com o discurso bolsonarista agora se veem desamparados, criando um terreno fértil para novas alianças e migrações políticas.
Eduardo Paes, em sua estratégia, mostra-se astuto ao:
- Diversificar suas alianças para além do espectro tradicional de centro-esquerda;
- Transformar as incertezas dos adversários em oportunidades com movimentos concretos;
- Estabelecer relações com segmentos conservadores e religiosos;
- Consolidar parcerias estratégicas, especialmente na Baixada Fluminense.
Esses movimentos demonstram uma capacidade de adaptação e resiliência política que pode definir o futuro do governo estadual no Rio de Janeiro. O cenário, dessa forma, aponta para um embate acirrado nas próximas eleições, onde Paes, se continuar nessa trajetória, pode se consolidar como uma força política de peso em um Estado que já foi fortemente bolsonarista.

