Iniciativas de Ensino Integral em Debate
Na última terça-feira (17), representantes das secretarias de educação do Rio de Janeiro, Recife e Ceará se reuniram em São Paulo para discutir o progresso dos anos finais do ensino integral. O evento, intitulado Seminário Internacional de Anos Finais Integrais – Redes que Transformam, contou com a participação de Adriano Giglio, Subsecretário de Ensino da Secretaria Municipal de Educação do Rio; Cecilia Cruz, Secretária Municipal de Educação do Recife; e Emanuelle Grace, Secretária-Executiva de Cooperação com Municípios do Ceará. Durante o seminário, foram abordadas as diferentes perspectivas e estratégias de cada região para promover uma educação que atenda às necessidades das juventudes.
Adriano Giglio, ao falar sobre a rede municipal do Rio, destacou os desafios de integrar as diversas unidades escolares, cada uma com suas particularidades. “O desafio já começa em fazer ações para todas as escolas, respeitando suas diferenças e particularidades. Temos experiências de vocacionalização do currículo nos anos finais. Algumas escolas começaram com esporte, outras com o aprendizado de um segundo idioma. Isso aumenta o engajamento e pertencimento”, afirmou. Ele também mencionou os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), que promovem um ambiente colaborativo entre professores, focando na prática pedagógica. Hoje, a rede municipal conta com mais de 360 escolas que atendem os anos finais, das quais 57% oferecem ensino em tempo integral e 8% estão em processo de transição para esse modelo.
Recife: Crescimento Acelerado no Ensino Integral
Já em Recife, a Secretária de Educação, Cecilia Cruz, apresentou um panorama da expansão do ensino em tempo integral na cidade. Com 45 escolas, 24 delas já oferecem o formato integral, um aumento significativo em relação a 2021, quando apenas 12 unidades operavam nesse modelo. “O tempo integral é hoje a nossa estratégia para os anos finais do ensino fundamental. Apesar de ter a oferta desde 2014, percebemos em 2021 que o currículo ainda estava distante do que gostaríamos para este formato de educação”, comentou Cecilia. Para sanar essa defasagem, foi necessária uma revisão da matriz curricular. “Com o apoio da Motriz, fizemos um planejamento de expansão para que as escolas integrais alcançassem todos os cantos da cidade.” Como resultado, o número de estudantes em tempo integral saltou de 91 mil para 110 mil, envolvendo a escuta de 4 mil jovens para garantir sua participação no processo educativo.
Ceará: Fortalecimento da Educação Integral
No Ceará, o cenário é igualmente promissor. O percentual de escolas em tempo integral aumentou de 40% para 60%, conforme os dados do último Censo. Emanuelle Grace, secretária-executiva de Cooperação com os Municípios, atribui esse avanço ao suporte técnico e pedagógico oferecido às 184 prefeituras cearenses. “Construímos um documento orientador focado nas adolescências e cadernos de eletivas que dialogam diretamente com os alunos nos seus territórios”, explicou. Essa abordagem busca tornar os estudantes protagonistas do seu processo educacional e contribuir para uma formação mais conectada com suas realidades.
O Seminário Internacional de Anos Finais Integrais – Redes que Transformam, promovido pela ONG Motriz em parceria com a Fundação Lemann, Instituto Sonho Grande, Instituto Natura e Fundação Itaú, tem como objetivo compartilhar experiências e promover um diálogo produtivo entre diferentes regiões do Brasil, visando à melhoria da educação integral.

